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"É fundamental discutirmos com pessoas que são da empresa"

Melo Pires realça a ausência de sindicatos nas relações laborais da empresa e aponta o objectivo de, em 3 ou 4 anos, reduzir os custos de transporte em 25%.

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Falava há uns meses atrás no abandono do transporte rodoviário e na aposta no transporte ferroviário como forma de reduzir custos de produção. Em que pé está esse processo?
Já estamos a caminhar nesse sentido. Aliás o mercado dos transportadores ferroviários já se está a mexer em função da nossa solicitação. Depois do workshop que fizemos com vários exportadores houve uma série de propostas apresentadas e que neste momento estão em fase de concretização. Nós temos vindo a aumentar de um forma "piloto" a importação de mercadorias via caminho de ferro, primeiro de Barcelona, e neste momento já estamos com uma proposta para começar a transportar directamente da Alemanha, da Alemanha para Barcelona, e de Barcelona directamente aqui à Autoeuropa. Até ao final do ano espero já ter uma solução montada e a funcionar.

A diferença de custos é significativa?
Não dá para contabilizar ainda. Obviamente que só vamos mudar para o comboio se, de facto, apresentar uma vantagem de custo, mas eu espero que nos próximos três ou quatro anos, com as várias optimizações que é possível fazer no processo, se chegue a uma redução dos 25% do custo de transporte.

Mas manter-se-á sempre uma componente de transporte rodoviário...
A distribuição fina ou capilar, como se costuma chamar, vai ter que ser feita sempre por camião. Nós aqui temos a vantagem de ter um terminal ferroviário no parque industrial e é isso que estamos a tentar montar. Queremos que os comboios venham directamente para nós, entrem no parque industrial e que ali seja feita a descarga directa.

A CP estará envolvida nesse processo?
Recebemos propostas de vários operadores. Uma delas foi da CP Carga, mas temos propostas de outros operadores que operam já em Portugal.

Espera algum desenvolvimento com a anunciada privatização da CP?
Isso só cabe à CP dizer.

Qual o segredo para as relações laborais na Autoeuropa serem tão pacíficas?
O segredo é a cultura de transparência que existe na Autoeuropa em que os problemas não são escondidos. São claramente colocados. Aconteceu isso quando passámos por uma crise e foi necessário colocar à consideração dos trabalhadores que, de facto, ou nós encontrávamos uma solução ou teríamos que começar a despedir pessoas. E agora que estamos a atravessar um ciclo de subida as coisas foram colocadas também de forma transparente: "temos estas encomendas, precisamos de produzir mais". Agora eu penso que parte da questão vem da criação de uma relação de confiança de parte a parte em que os problemas são discutidos de forma aberta.

Também é muito importante o facto de discutirmos com pessoas que são da empresa e não com pessoas que são externas à empresa. Penso que isso é fundamental.

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