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Restrições covid-19: mais de metade das empresas acusa impacto negativo na faturação. Emprego resiste

90% das empresas manifestam um grau de preocupação elevado ou moderado face a um agravamento ou prolongamento das medidas de contenção da pandemia. Em termos de emprego, uma em cada 10 empresas prevê reduzir postos de trabalho até final do ano e 13% prevê uma redução no pessoal em 2021.

Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 26 de Novembro de 2020 às 12:20
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Mais de metade das empresas reportou um impacto negativo ou muito negativo na evolução do volume de negócios, indica o Instituto Nacional de Estatística, com base com o Inquérito Rápido e Excecional às Empresas a propósito da covid-19, referente a novembro.

A quebra no volume de negócios está associada à redução das encomendas ou clientes (59%) e às novas medidas de contenção (56%). Isto é uma tendência sentida por empresas de todas as dimensões. No caso do setor do Alojamento e restauração, estas percentagens sobem para 84% e 82%, respetivamente. Por outro lado, existem ainda cerca de 5% de empresas que afirmam que os impactos das medidas de contenção ou das encomendas e clientes foram positivos ou muito positivos.

Questionadas sobre os apoios governamentais, a maioria das empresas beneficiárias avaliam as medidas como muito importantes para a sua situação de liquidez, sendo que as empresas que beneficiam atualmente de apoios anunciados pelo Governo devido à pandemia COVID-19 representam entre 19% e 30% do total. No caso do Alojamento e restauração, chegam a 50%.

Mais consensual é a preocupação acerca de novas restrições: 90% das empresas manifestam um grau de preocupação elevado ou moderado face a um agravamento ou prolongamento das medidas de contenção da pandemia a implementar pelo Governo.

Ainda assim, 84% das empresas não preveem o encerramento num cenário de agravamento das medidas de contenção da pandemia e de ausência de medidas adicionais de apoio. Em oposição, 16% das empresas estimam conseguir subsistir, em média, apenas cerca de 7 meses num tal cenário. Nas empresas do setor do Alojamento e restauração, esta percentagem situa-se em 42% e o tempo médio de subsistência em 5,3 meses.

Pelo menos 40% das empresas consideram muito importante uma extensão das medidas de apoio do Governo face a um cenário de agravamento das medidas de contenção. No Alojamento e restauração, 90% e 79% das empresas consideram muito importante o alargamento ou reposição do layoff simplificado e a suspensão de obrigações fiscais e contributivas.

Empregos salvaguardados na maioria

De acordo com este inquérito, 85% das empresas deverão manter os postos de trabalho até ao final de 2020, embora 10% das empresas tenham planos para a sua redução. Há ainda 5% que estimam aumentar o número de colaboradores até final do ano.

Já em 2021, 74% das empresas planeiam manter os postos de trabalho, enquanto 13% preveem reduzir pessoal e outros 13% estimam reforçar o número de trabalhadores.

No Alojamento e restauração, a proporção de empresas que planeia reduzir os postos de trabalho, quer até ao final do ano quer em 2021, ronda os 35%.

E depois da pandemia?

Num cenário de controlo efetivo da pandemia em 2021, 34% das empresas consideram que a atividade já voltou ou voltará ao normal num intervalo médio de 9,8 meses. No mesmo contexto, 4% das empresas não preveem o retorno ao nível normal e 62% não conseguem antecipar se o seu volume de negócios voltará ou não ao nível normal.

Relativamente a alterações permanentes na forma de trabalhar motivadas pela pandemia, 59% das empresas consideram muito provável a redução do número de viagens de negócios e 31% o uso mais intensivo do teletrabalho.

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