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Rioforte luta para salvar parte do universo Espírito Santo

A empresa do Grupo Espírito Santo decidiu apresentar uma contestação à recusa da protecção de credores. A reacção em bolsa da PT e mais tempo para vender activos justificam a apresentação de um recurso no Luxemburgo.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 11:38
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A Rioforte quer salvar uma parte do Grupo Espírito Santo. A sociedade que controla os activos não financeiros daquele universo quer evitar uma insolvência desordenada, como a que resulta da recusa do Tribunal do Comércio do Luxemburgo à entrada em gestão controlada. Daí que vá contestar a decisão, como já havia sido noticiado durante o fim-de-semana.

 

"A Rioforte Investments S.A. decidiu apresentar recurso da decisão do Tribunal de Comércio do Luxemburgo do passado dia 17 que rejeitou o pedido de admissão da sociedade ao regime de gestão controlada (‘gestion contrôlée’)", aponta o comunicado emitido pela empresa e enviado por e-mail às redacções.

 

A administração da Rioforte, liderada por João Pena, acredita que a gestão controlada, que a protege de acções judiciais, "serve melhor e de forma superior os interesses de todos os credores ao remunerar de forma mais vantajosa os créditos, programa de alienações e de reestruturação de dívida". Algo que não deveria acontecer com o regime de insolvência, para a qual foi "empurrada" pela recusa da juíza Anick Wolff.

 

A possibilidade de envolver a equipa de gestão dos seus vários activos na venda é uma das razões para que a Rioforte tenha avançado com este recurso, segundo indica o comunicado. Além disso, como há activos no sul da América, em África e na Europa, há uma "melhor salvaguarda" com a gestão controlada, defende a administração. A  Espírito Santo Property, que gere uma carteira de imóveis em Portugal e a Tivoli Resorts são exemplos. 

 

Além disso, a situação de gestão controlada poderá permitir à Rioforte definir "um prazo temporal de execução de todo o processo que, sem colocar em causa o valor dos activos, possa igualmente agir no melhor interesse dos credores".

 

"Adicionalmente, e não menos importante, pesou na decisão a constatação de reacções negativas à sentença do Tribunal por parte de credores e investidores evidenciando uma queda na expectativa do grau de recuperação de dívida face ao regime de gestão controlada em vigor até à referida decisão do Tribunal", conclui ainda o comunicado da Rioforte. A Portugal Telecom, para com que a empresa do GES tem uma dívida de cerca de 900 milhões de euros, caiu fortemente em bolsa para mínimos nunca antes vistos com a recusa do Luxemburgo em conceder aquele regime.

 

Até 17 de Outubro, a venda da Espírito Santo Saúde à Fidelidade, que rendeu 244 milhões de euros, e a alienação da Espírito Santo Viagens à suíça Springwater, cujo valor da transacção não foi revelado, não foram suficientes para que a Rioforte obtivesse o aval de Luxemburgo para avançar para a gestão controlada. Neste momento, o trunfo da administração é a reacção dos credores - muitos manifestaram-se a favor do recurso da Rioforte no Luxemburgo, segundo avançou no sábado o Expresso. O plano da Rioforte, para entrar em gestão controlada, era inicialmente o de converter 75% da dívida em capital. A PT, por exemplo, passaria a ter 33% dessa empresa.  

 
O que foi vendido e o que resta 

Vender activos e pagar aos credores. Será esta a missão da Rioforte nos próximos meses, senão mesmo anos, na sequência do processo de insolvência ditado pela justiça do Luxemburgo.

 

ES Saúde e ES Viagens rendem pouco mais de 134 milhões

A venda da participação na Espírito Santo Saúde, numa OPA que resultou num leilão competitivo, foi a operação que, até agora, mais proveitos gerou para a Rioforte. A "holding" arrecadou 134 milhões com esta alienação, dinheiro que está à guarda do Tribunal do Luxemburgo para satisfazer o pagamento de dívidas reclamado por diversos credores. O mesmo aconteceu com o produto da venda da ES Viagens, cujo valor não foi revelado.

 

Hotéis Tivoli podem render 300 milhões

O processo de venda dos Hotéis Tivoli foi iniciado ainda antes de a Rioforte pedir a gestão controlada. Mas a decisão pela insolvência poderá fazer com que o dossiê volte à estaca zero. Em causa está uma operação que poderá render mais de 300 milhões à "holding" do GES.

 

Comporta é dos activos mais cobiçados

A Herdade da Comporta, que já tem um projecto de desenvolvimento turístico e imobiliário definido e em fase de concretização, será um dos activos da Rioforte mais cobiçados. No entanto, a venda deste património pode não ser dos que vai gerar maior encaixe uma vez que a empresa tem passivo associado. O processo ainda não foi lançado.

 

América do Sul concentra vários activos

O Brasil é o país da América do Sul onde a Rioforte tem mais activos. Em causa está uma empresa de gestão de imóveis, a Energias Renováveis do Brasil, além de interesses na indústria agro-indústria e no Grupo Monteiro Aranha. Além disso, a Rioforte tem ainda a Payco, uma empresa agrícola e florestal do Paraguai. Maria João Gago

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