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Sporting prepara futuro

Órgãos sociais do Sporting estão convocados para diversas reuniões esta semana. Reacções à demissão de Bettencourt acumulam-se.

Sporting prepara futuro
Lusa 16 de Janeiro de 2011 às 15:41
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O presidente da Assembleia-geral do Sporting, Dias Ferreira, convocou hoje para terça-feira um plenário dos órgãos sociais do clube, na sequência de demissão apresentada sábado por José Eduardo Bettencourt.

"Na sequência da declaração feita pelo presidente do Conselho Directivo do Sporting, José Eduardo Bettencourt, o presidente da Mesa da Assembleia Geral, Dias Ferreira, decidiu convocar nos próximos dias um plenário dos Órgãos Socais do clube", lê-se numa curta nota publicada no sítio do clube na internet.

Fonte próxima do clube garantiu à agência Lusa que o plenário vai realizar-se terça-feira, acrescentando que está agendada para o dia seguinte uma reunião do conselho leonino.

Com a demissão de José Eduardo Bettencourt, que presidia ao Sporting desde 05 de junho de 2009, poderão ser tomadas várias opções no que se refere à sucessão, explicou a mesma fonte.

O sucessor de Bettencourt poderá ser escolhido por cooptação, tal como sucedeu na passagem do poder de Dias da Cunha para Filipe Soares Franco, ou poderão ser convocadas de imediato eleições.

No entanto, segundo a mesma fonte, pode ainda verificar-se uma "situação mista", com um dos vice-presidentes a assumir os destinos do clube, adiando assim a marcação de eleições.

Bettencourt demitiu-se sábado, após a derrota caseira dos "leões" com o Paços de Ferreira (3-2), referindo que a sua saída era a melhor decisão para o clube.

"Por diversas circunstâncias, entendo que o melhor para a vida do Sporting Clube de Portugal é que eu deixe de ser presidente deste grande clube", afirmou o agora presidente demissionário dos "leões", que surgiu no anfiteatro do estádio José Alvalade, em Lisboa, acompanhado por Dias Ferreira, após as conferências dos técnicos do Sporting, Paulo Sérgio, e Paços de Ferreira, Rui Vitória.



Reacções em catadupa

A Associação de Adeptos Sportinguistas emitiu um comunicado em que diz que não foi com surpresa que recebeu a notícia da demissão de José Eduardo Bettencourt, ao mesmo tempo que afirma não acreditar em "soluções de cooptação".

Depois de reafirmar as críticas ao presidente do Sporting, a Associação de Adeptos lamenta o que considera "tempo perdido" e deseja que "este seja o ponto de inflexão do clube", reclamando o surgimento de "projectos sólidos e consistentes".

Os "leões" somaram ontem a segunda derrota caseira da Liga portuguesa de futebol, à 16.ª jornada, ficando na terceira posição, a 13 pontos do líder FC Porto e a cinco do Benfica, que jogam no domingo frente à Naval 1.º de Maio e à Académica, respectivamente.

De acordo com o número 2 do artigo 40.º dos estatutos do Sporting "o efeito da renúncia não depende de aceitação e produz-se no último dia do mês seguinte àquele em que for apresentada", ou seja, 28 de Fevereiro, "salvo se entretanto se proceder à substituição do renunciante", o que deve acontecer por cooptação "efectuada depois de ouvido o Conselho Leonino e sujeita a ratificação na primeira Assembleia Geral comum que ocorrer", como estipula o número 4 do artigo 56.º.

"Todavia, se a renúncia, individual ou colectiva, constituir causa da cessação do mandato da totalidade dos membros do órgão, a renúncia só produzirá efeito com a proclamação da eleição dos sucessores, salvo se entretanto for designada a comissão [de gestão] prevista no Artigo 42.º", lê-se no número 3 do artigo 40.º.

Nesse caso, cabe ao presidente da Mesa da Assembleia-Geral o poder de designar uma comissão de gestão e o dever de marcar eleições no prazo de seis meses.

Um ano e meio de Bettencourt

Bettencourt, sócio desde 1980 e 40.º presidente do Sporting, sucedeu a Filipe Soares Franco, após ter sido eleito para uma mandato de quatro anos a 05 de Julho de 2009, com 89% dos votos, derrotando Paulo Pereira Cristóvão, seu único oponente.

Antes de chegar à presidência do Sporting, Bettencourt, de 50 anos, licenciado em Economia, foi administrador da SAD do Sporting entre 2001 e 2004, celebrando a conquista do título de campeão nacional de 2001/2002 (o último dos 'leões'), a Taça de Portugal de 2001/02 e duas Supertaças relativas às épocas de 1999/2000 e 2001/02.

Com uma carreira profissional assente na banca, Bettencourt assumiu em 2006 o lugar de vice-presidente do Conselho Diretivo do Sporting (não executivo) acumulando com o cargo de Vogal da Comissão Executiva do Banco Santander Totta, o qual deixou para se tornar presidente do clube, do Conselho de Administração da SAD e todas as empresas que compõem o denominado Grupo Sporting.

Quando assumiu funções, o dirigente propôs-se dar sustentabilidade financeira ao Sporting, que apresenta um passivo superior a 300 milhões de euros, dos quais 144 milhões respeitantes à sociedade que gere o futebol profissional, recentemente alvo de uma reestruturação acordada com a banca.

Paulo Sérgio fica

O treinador Paulo Sérgio rejeitou no próprio sábado a possibilidade de se demitir do comando técnico da equipa de futebol do Sporting, minutos antes de José Eduardo Bettencourt anunciar a sua demissão de presidente do clube lisboeta.

"Continuarei sempre até me quererem cá. Jamais vou desistir", assegurou Paulo Sérgio, em conferência de imprensa. Paulo Sérgio, que recusou comentar uma alegada visita de Bettencourt ao balneário da equipa no fim do encontro, reconheceu que a sua posição ficou mais fragilizada, mas defendeu que tem condições para continuar a liderar o futebol "leonino".

Paulo Cristóvão lamenta "mau momento"

Paulo Pereira Cristóvão, candidato derrotado nas últimas eleições do Sporting, lamentou o "mau momento" do pedido de demissão do presidente do clube, José Eduardo Bettencourt.

"Era algo que eu temia que acontecesse a breve trecho, por diversas ordens de razões. Não concordo com o momento porque a demissão do presidente do Sporting a seguir a uma derrota com o Paços de Ferreira parece que está a querer passar a mensagem de que se demitiu por causa da derrota e todos sabemos que não será essa a principal causa da sua demissão", afirmou Paulo Pereira Cristóvão em declarações à agência Lusa.

Para o antigo candidato, esta demissão "é um momento que deve ser aproveitado pelo clube e por aquela linhagem de dirigentes que está dentro do clube há 15 anos, de que José Eduardo Bettencourt era só a face mais visível, [para] serem fieis à decisão do presidente, abandonarem o clube e conferirem a possibilidade de uma mais que necessária renovação geracional no dirigismo sportinguista".

"É um mau momento. Penso que, no mínimo, deveria aguardar até ao final da época. Agora, quando tomou a decisão, José Eduardo Bettencourt não a tomou de ânimo leve, terá os seus motivos. Alguns são do meu conhecimento, mas prefiro reservar esse conhecimento só para mim", frisou Cristóvão.

O antigo candidato considera que as "pessoas que foram suas entusiastas e que, ao nível da banca, suportaram a sua entrada no clube têm uma palavra a dizer", lamentando também as repercussões da saída do presidente ao nível desportivo.

"No futebol, o dirigismo do clube vai ser assegurado por uma comissão de gestão, que está legitimado pelos estatutos, mas não o está eleitoralmente, e, como o próprio nome diz vai fazer uma gestão, não vai traçar planos de futuro. É uma comissão que vai aguentar e manter o clube até umas eleições que aí venham, a não ser que assistamos a qualquer outro fenómeno de índole monárquica. Penso que já passámos esta fase, mas no Sporting, às vezes, há estas novidades", explicou.

Paulo Pereira Cristóvão reconheceu que este é um momento de "união e de o clube ter muita calma nas decisões", manifestando-se disponível para ajudar os "leões", independentemente do cargo.

"Eu sou sócio há 37 anos e sei que um dia ainda serei útil ao meu clube. Ainda emprestarei algum esforço pessoal à vida do meu clube, não necessariamente na condição de presidente da direcção... há muitas formas de ajudar o clube, não tenho essa ambição pessoal neste momento", frisou, apelando a que o clube "conclua a época da forma mais digna possível".



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