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Universidades ligadas ao Exército chinês procuraram acesso a chips avançados da Nvidia

Pelo menos sete universidades chinesas ligadas ao setor militar procuraram obter acesso aos avançados processadores H200 da Nvidia, apesar dos controlos norte-americanos à exportação de tecnologia para a China.

AP
07:40

Uma investigação da agência de notícias Bloomberg concluiu, baseada em registos de contratação pública e documentos universitários, que várias instituições chinesas tentaram adquirir os processadores H200 através de intermediários ou alugar capacidade de computação baseada nesses 'chips'.

Esta última modalidade permitiria utilizar remotamente os processadores sem necessidade de importar fisicamente o equipamento para a China.

Entre as entidades identificadas figuram a Universidade Beihang e a Universidade Politécnica do Noroeste, integrantes dos chamados "Sete Filhos da Defesa Nacional", um grupo de universidades estreitamente ligado ao desenvolvimento de tecnologias militares chinesas e sujeito a restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A Bloomberg refere não ter encontrado provas de violações dos controlos de exportação norte-americanos nem evidências de que as universidades tenham conseguido obter os H200, mas considera que o interesse demonstrado evidencia a importância que os processadores da Nvidia continuam a ter para a investigação avançada em inteligência artificial.

Segundo a investigação, mais de 25 universidades e laboratórios chineses associados aos setores militar e da defesa utilizam ou tentaram obter gerações anteriores de processadores da Nvidia, incluindo os modelos A100, A800, H100 e H20.

A Nvidia rejeitou que esta situação indique qualquer dependência militar chinesa da sua tecnologia. Um porta-voz da empresa classificou como "absurda" a ideia de que o Exército de Libertação Popular dependa de "algumas dezenas de GPU usadas", acrescentando que a China dispõe de semicondutores nacionais suficientes para aplicações militares.

A embaixada chinesa em Washington reiterou a oposição de Pequim à "politização" e à "instrumentalização" das questões tecnológicas e económicas, defendendo a cooperação mutuamente benéfica entre a China e os Estados Unidos.

O caso ilustra as dificuldades enfrentadas por Washington para impedir que tecnologia norte-americana seja utilizada por instituições ligadas ao aparelho militar chinês, sobretudo após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter autorizado a venda de chips H200 a determinados compradores chineses previamente verificados.

A Bloomberg destaca ainda que algumas universidades recorreram a contratos de aluguer de capacidade computacional para aceder remotamente aos processadores, uma prática que vários especialistas consideram uma potencial lacuna nos atuais controlos de exportação dos Estados Unidos.

A investigação surge poucos dias após a procuradoria de Taiwan suspeitar que servidores equipados com processadores avançados da Nvidia terão sido introduzidos ilegalmente na China após passagem pelo Japão, num caso ainda sob investigação.

Atualmente a empresa cotada mais valiosa do mundo, a Nvidia registou um lucro líquido de 58,3 mil milhões de dólares (cerca de 50 mil milhões de euros) no primeiro trimestre do seu exercício fiscal e alertou recentemente que não prevê receitas provenientes de centros de dados na China devido às restrições impostas por Washington à exportação de semicondutores avançados.

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