Bruxelas diz que crise energética "não será curta" e alerta para pressões nos combustíveis

O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen sugeriu medidas de redução da procura por pressões no gasóleo e combustível da aviação no final da reunião por videoconferência dos ministros da Energia da União Europeia (UE).
Dan Jørgensen
Ronald Wittek / Lusa - EPA
Lusa 18:19

O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, alertou esta terça-feira que a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente "não será curta", sugerindo medidas de redução da procura por pressões no gasóleo e combustível da aviação.

"Ninguém sabe quanto tempo durará a crise, mas penso que é muito importante sublinhar que não será curta porque, mesmo que houvesse paz amanhã, continuariam a existir consequências, já que as infraestruturas energéticas da região foram destruídas pela guerra e continuam a ser destruídas", alertou Dan Jørgensen, falando em conferência de imprensa em Bruxelas após uma reunião por videoconferência dos ministros da Energia da União Europeia (UE).

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"Embora não exista, para já, escassez imediata no abastecimento de petróleo e gás na UE, observamos pressões em certos mercados de produtos, nomeadamente gasóleo e combustível de aviação, bem como constrangimentos crescentes nos mercados globais de gás e o seu efeito de contágio nos preços da eletricidade", adiantou o responsável europeu da tutela, pedindo "ações concretas de redução da procura" como teletrabalho e incentivo ao uso de transportes públicos.

Dan Jørgensen vincou: "Não devemos ter ilusões de que as consequências desta crise para os mercados energéticos serão de curta duração, porque não serão e, por isso, é extremamente importante que atuemos com unidade e em estreita coordenação, evitando respostas nacionais fragmentadas e sinais perturbadores para os mercados".

Bruxelas está, segundo o responsável, pronta "para apresentar um pacote muito em breve" com medidas de alívio, bem como a "acompanhar a situação de perto, e a situação continuará a ser bastante dinâmica".

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Os ministros da Energia da UE reuniram-se hoje num encontro extraordinário por videoconferência para discutir a segurança do aprovisionamento energético devido à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente.

O encontro surgiu quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.

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Embora a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás, petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias.

A UE enfrenta, assim, uma crise energética marcada não pela escassez imediata de fornecimento, mas pelo aumento acentuado dos preços de energia.

Espera-se que, nos próximos dias, o executivo comunitário avance com medidas para baixar os preços da eletricidade e reforçar a segurança energética, incluindo flexibilizar os apoios estatais para ajudar rapidamente os setores mais afetados e trabalhar com os Estados-membros para reduzir o impacto dos custos dos combustíveis como através da redução de impostos, isto sem prejudicar o investimento em energias limpas.

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Ao mesmo tempo, a instituição está a preparar legislação para melhorar as redes elétricas e pretende ainda reforçar e tornar mais flexível o sistema de comércio de emissões, aumentando o financiamento para tecnologias limpas e descarbonização.

A Comissão Europeia pediu na semana passada que os Estados-membros da UE apoiem os consumidores mais vulneráveis devido aos elevados preços energéticos, baixem os impostos sobre a luz e evitem cortes no fornecimento.

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