Bruxelas escolhe três projetos portugueses em leilão europeu de 400 milhões
A Comissão Europeia anunciou esta sexta-feira que selecionou 65 projetos em dez países do Espaço Económico Europeu no âmbito do primeiro "Leilão de Calor" europeu, um mecanismo criado para acelerar a descarbonização do calor industrial através de tecnologias limpas.
Entre os projetos escolhidos surgem três portugueses: o GRIST-B, ligado ao setor alimentar, e os projetos EDP-TMG HEAT1 e EDP-TMG HEAT2, associados à indústria têxtil. Todos foram selecionados para preparação de acordo de subvenção.
PUB
Os projetos portugueses recorrem a tecnologias de eletrificação por aquecimento indireto por resistência elétrica ("indirect resistance heating"), substituindo sistemas alimentados a gás natural.
Segundo Bruxelas, os 65 projetos selecionados deverão evitar mais de 6,6 milhões de toneladas de emissões de CO2 ao longo de dez anos e produzir cerca de 16,3 terawatt-hora (TWh) de calor descarbonizado nos primeiros cinco anos de operação.
Na prática, isso equivale a substituir mais de 1,5 mil milhões de metros cúbicos de gás natural em cinco anos — um volume comparável ao consumo anual de quatro milhões de famílias europeias.
PUB
A Comissão Europeia sublinha que o calor industrial continua a ser uma das áreas mais difíceis de descarbonizar, sobretudo em setores intensivos em energia como pasta e papel, químicos, vidro, siderurgia, alimentação ou têxtil.
A maioria dos projetos selecionados aposta em soluções de eletrificação direta ou indireta, embora também tenham sido escolhidos projetos com bombas de calor, solar térmico, aquecimento eletromagnético e tecnologias híbridas.
PUB
No caso português, os projetos inserem-se em dois setores particularmente relevantes para a economia nacional: a indústria alimentar e o têxtil, ambos fortemente dependentes de consumo térmico em processos produtivos.
O financiamento será atribuído através do Fundo de Inovação europeu, alimentado pelas receitas do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE (CELE).
PUB
A Comissão Europeia anunciou também que já está a preparar uma segunda ronda deste mecanismo em 2026, desta vez com um orçamento reforçado de 1.000 milhões de euros.
"O conjunto destes projetos deverá substituir mais de 1,5 mil milhões de metros cúbicos de gás natural nos próximos cinco anos", afirmou o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra.
"Uma vitória para o clima, para a competitividade e para a independência energética", acrescentou.
PUB
Os acordos de financiamento deverão ser assinados na segunda metade de 2026. Depois disso, os projetos terão dois anos para alcançar fecho financeiro e quatro anos para entrarem em operação.
Mais lidas
O Negócios recomenda