Cheias no Tejo "controladas". Governo reorienta fundos para arribas e diques, diz ministra
As cheias no rio Tejo estão “neste momento controladas” e longe de um cenário de gravidade histórica, garantiu esta terça-feira a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhando que a gestão coordenada das barragens portuguesas e espanholas permitiu evitar picos críticos de caudal.
"Nas grandes cheias dos anos 70 chegou-se a 14.700 metros cúbicos por segundo. Nós não chegámos sequer aos 9 mil e, neste momento, estamos com cerca de 3 mil metros cúbicos por segundo, um valor muito longe do ponto crítico", afirmou, durante uma visita a Santarém.
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Segundo a governante, a situação mais delicada ocorreu nos últimos dias, quando algumas barragens em Espanha estiveram próximas do limite de armazenamento. Ainda assim, a cooperação entre os dois países permitiu um controlo rigoroso das descargas. "Houve momentos de aflição, quando as barragens espanholas estiveram a 97%, mas conseguimos um ajuste muito minucioso", referiu, acrescentando que, atualmente, a barragem de Cedilho está a libertar cerca de 2 mil metros cúbicos por segundo.
Com a descida dos caudais e a previsão de melhoria das condições meteorológicas até ao final da semana, o Governo espera ultrapassar este período “sem cheias de grande gravidade”, apesar da existência de inundações localizadas. “Claro que há cheias, mas com muito menos impacto do que em 1967 ou 1979”, disse.
Ultrapassada a fase mais crítica, a prioridade do Executivo passa agora para os efeitos indiretos da chuva intensa, em particular a instabilidade das arribas, os deslizamentos de terras e os cortes de estradas. A ministra confirmou que está em curso uma avaliação técnica das encostas, com apoio do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, e admitiu a necessidade de reorientar financiamento público para responder às situações mais urgentes.
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"Temos de olhar para os programas operacionais regionais, para o Sustentável 2030, para o restante PRR e para o Fundo Ambiental e redirecionar prioridades", afirmou, acrescentando que a Comissão Europeia já sinalizou abertura para essa flexibilidade. “A própria presidente Ursula von der Leyen disse publicamente que podemos adaptar prioridades”, sublinhou.
A governante garantiu ainda que os diques do Tejo não se encontram em risco estrutural, embora reconheça a necessidade de uma reavaliação detalhada, incluindo nas zonas da Azambuja e do Cartaxo. "Não há perigo, os diques estão em segurança", assegurou, explicando que os pontos mais sensíveis foram imediatamente sinalizados, com intervenção do Exército e da Marinha e retirada preventiva de populações.
Maria da Graça Carvalho deixou, por fim, um apelo à população para evitar comportamentos de risco junto a rios, zonas costeiras e encostas instáveis. "Em caso de dúvida, o conselho é retirar as pessoas", afirmou.
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