Irão: EUA sugerem levantar mais sanções ao crude russo para controlar preços
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sugeriu na sexta-feira que poderá levantar mais sanções ao crude russo para melhorar o abastecimento global e controlar a forte subida dos preços desde o início da guerra israelo-americana contra o Irão.
As declarações de Bessent, feitas à estação Fox Business, surgem um dia depois de o secretário do Tesouro ter anunciado uma isenção temporária de 30 dias para permitir que os carregamentos de petróleo russo retido no mar sejam vendidos a refinarias na Índia, país ao qual Washington tinha pedido que deixasse de comprar petróleo bruto russo.
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"Os indianos têm sido muito bons parceiros. Pedimos-lhes que parassem de comprar petróleo russo sancionado este outono. Pararam. Iam substituí-lo por petróleo americano, mas para aliviar a escassez global temporária de petróleo, demos-lhes permissão para aceitar petróleo russo", explicou Bessent.
"Poderíamos desembargar outro carregamento de petróleo russo. Outra coisa que o Tesouro pode fazer é libertar centenas de milhões de barris de petróleo bruto sancionado que estão retidos no mar, e, essencialmente, ao libertá-los, o pode gerar oferta, e estamos a analisar essa possibilidade. Vamos manter um ritmo de anúncios de medidas para aliviar o mercado durante este conflito", acrescentou.
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Em fevereiro, Trump anunciou, após conversar com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que a nação asiática deixaria de comprar petróleo russo e, em vez disso, compraria petróleo venezuelano e hidrocarbonetos aos EUA, uma medida que acreditava ajudar a acabar com a guerra na Ucrânia, prejudicando os cofres russos.
Os anúncios de Washington surgem numa altura marcada por problemas no fornecimento de energia causados pelos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, que bloquearam, de facto, o Estreito de Ormuz.
Ormuz é a única passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, e 20% do petróleo bruto mundial e carregamentos significativos de gás natural liquefeito (GNL) passam por ele.
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Embora o Irão tenha negado o encerramento do estreito, a sua Guarda Revolucionária alertou que os navios mercantes que por ali transitassem "poderiam ser atacados ou afundados".
Várias seguradoras marítimas cancelaram ou restringiram a cobertura de carga na região devido a riscos políticos, levando muitas companhias de navegação a deixarem os seus navios parados no Golfo Pérsico em vez de arriscarem atravessar o Estreito de Ormuz sem seguro adequado.
Desde o início dos ataques ao Irão, há mais de uma semana, os preços de referência do crude na Europa subiram cerca de 30%, e o abastecimento dos países da Ásia Oriental, que dependem sobretudo do petróleo importado do Médio Oriente, já está seriamente comprometido.
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Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, alegadamente motivado pela inflexibilidade do regime político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio, no âmbito do programa nuclear, que afirmavam destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
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