Microsoft já está a compensar 100% do consumo global de eletricidade com energia renovável

A tecnológica quer ir além do que já se propôs, mas o primeiro passo foi dado e é para se manter. "Por cada quilowatt de eletricidade que usamos, estamos a compensar com energia renovável", admite a diretora de sustentabilidade da Microsoft, referindo que o objetivo é continuar a introduzir energia renovável nas redes elétricas a nível mundial.
A Microsoft anuncia a concretização de uma meta ambiciosa, mas admite que ainda falta fazer mais.
DR
Inês Pinto Miguel 18 de Fevereiro de 2026 às 16:00

A Microsoft fez uma promessa ambiciosa em 2020 para um período de 10 anos, e já atingiu um dos objetivos a que se propôs a meio do caminho. A tecnológica, que tem acelerado os gastos em inteligência artificial (IA), centros de dados e computação quântica, chegou a uma das metas para as quais tem trabalhado desde o início da década: compensar 100% do consumo anual global de eletricidade com energia renovável, sendo este um dos objetivos desenhados até 2030, de forma a tornar-se neutra em carbono. 

"Por cada quilowatt de eletricidade que usamos, estamos a compensar com energia renovável", afirma Melanie Nakagawa, diretora de sustentabilidade da Microsoft, em Dublin. "Chegar a esta meta é um passo significativo em direção ao objetivo de sermos neutros em carbono até 2030. Mas também sabemos que este é apenas um marco na nossa viagem, e que isso não significa que estamos na linha da meta. Ainda temos muito trabalho a fazer a partir daqui", refere Nakagawa.

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A diretora de sustentabilidade da Microsoft diz ainda que o trabalho continua, com a tecnológica a propor-se à construção de "um dos maiores portefólios de energia limpa do mundo" nos próximos cinco anos. "Atingir os 100% não aconteceu do dia para noite. Este marco não reflete apenas cinco anos, mas uma década de trabalho em energia limpa. Começou com compromissos precoces, o desenvolvimento de modelos repetidos e colaboração com diversos parceiros".

Atingir os 100% não aconteceu do dia para noite. Este marco não reflete apenas cinco anos, mas uma década de trabalho. Melanie Nakagawa
Diretora de sustentabilidade da Microsoft

Segundo explica, a procura por energia renovável arrancou em 2013, quando a Microsoft assinou o seu primeiro contrato de compra de energia, na ordem dos 110 megawatts no Texas, para conseguir suportar o desenvolvimento inicial dos projetos em "cloud". "Desde 2020 já contratámos 40 gigawatts [GW] de energia renovável em 26 países", justifica, uma pequena gota quando comparado com os dados que cita da Bloomberg New Energy Finance, que dizem que já foram assinados cerca de três mil contratos de compra de energia para um total de 300 GW. Entre os projetos assinados pela empresa criada por Bill Gates estão construções eólicas na Irlanda, fábricas solares na Austrália e energia hidroelétrica nos Estados Unidos, sendo que apenas "19GW dos 40GW contratados estão em funcionamento e a mover eletricidade em vários países do mundo". 

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"O restante ainda tem de ser construído, e assim o serão nos próximos cinco anos. É muito importante que empresas como a Microsoft tomem ações, invistam e assinem contratos aos dias de hoje para energia limpa e renovável que ainda não existe na rede", aponta Melanie Nakagawa, recordando que os 40GW contratados são suficientes para alimentar energeticamente 10 milhões de casas nos Estados Unidos.

No entanto, o caminho da Microsoft para atingir a ambição de ser neutra em carbono ainda está em desenvolvimento. Para que tal aconteça, a diretora de sustentabilidade afirma que é preciso equilibrar a inovação, justificando os grandes investimentos que têm estado a acontecer, mas, em simultâneo, melhorar a rede energética de vários países, uma vez que a introdução de energia renovável permite uma menor dependência do carbono. Ao mesmo tempo, a tecnológica vai continuar a impulsionar o desenvolvimento e uso de ferramentas de IA para operar a rede elétrica de forma mais eficiente.

*A jornalista viajou a convite da Microsoft

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