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Alemanha "pode contar 100% com o empenho de Portugal" para construção de gasoduto, diz Costa

"A Alemanha pode contar 100% com o empenho de Portugal para a construção do gasoduto. Hoje para o gás natural, amanhã para o hidrogénio verde", escreveu António Costa no Twitter.

Miguel A. Lopes / Lusa
Lusa 11 de Agosto de 2022 às 19:38
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O primeiro-ministro garantiu esta quinta-feira que "a Alemanha pode contar 100% com o empenho de Portugal para a construção do gasoduto", depois de o chanceler alemão ter apelado à construção dessa infraestrutura para reduzir a dependência de gás russo.

"A Alemanha pode contar 100% com o empenho de Portugal para a construção do gasoduto. Hoje para o gás natural, amanhã para o hidrogénio verde", escreveu António Costa numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter.

Segundo o chefe do executivo, até à concretização desse gasoduto, "o Porto de Sines poderá ser utilizado como plataforma logística para acelerar a distribuição de Gás Natural Liquefeito (GNL) para a Europa".



O chanceler alemão, Olaf Scholz, manifestou-se hoje a favor de um gasoduto que transporte gás a partir de Portugal através de Espanha e França para o resto da Europa, para reduzir a atual dependência de gás russo.

Em conferência de imprensa, Scholz lamentou que essa ligação ainda não tenha sido construída, porque agora permitiria dar uma "contribuição maciça" para o abastecimento no norte da Europa, devido à crise energética que surgiu após a guerra na Ucrânia.

O chanceler, citado pela agência espanhola Efe, acrescentou que falou com os seus colegas de Portugal, Espanha e França e com a presidente da Comissão Europeia para impulsionar esse projeto, já que a existência de ligações com o norte de África ajudaria a diversificar o fornecimento.

Um gasoduto com estas características "resolveria os problemas atuais", acrescentou o chanceler alemão, que destacou os esforços do seu governo para reduzir a dependência energética em relação à Rússia e admitiu que os anteriores não consideraram essa possibilidade.

"Todos os governos, todas as empresas devem ter em conta que as situações podem mudar e preparar-se para se isso acontecer", disse Scholz, depois de reconhecer que a atual coligação governamental (sociais-democratas, Verdes e liberais) foi "surpreendida" pela falta de alternativas a uma possível redução no abastecimento de gás russo.

Apesar dessa situação, o dirigente alemão salientou que se conseguiu "em tempo recorde" procurar alternativas para garantir o fornecimento de gás no próximo inverno, mas admitiu que "será mais caro".

Em 29 e 30 de maio, durante a inauguração da Feira de Hannover, na Alemanha - que contou este ano com a participação de Portugal como país parceiro -, Costa reuniu-se à margem com Scholz, num encontro que ficou marcado pelas discussões em torno do abastecimento à Alemanha de energia, designadamente através do Porto de Sines.

Aquando da sessão de abertura do certame, Scholz tinha considerado que Portugal podia ser um "parceiro interessante" no domínio do hidrogénio verde, uma área onde sublinhou serem necessários "projetos de cooperação".

Por sua parte, António Costa, em declarações aos jornalistas no final da sua visita a Hannover, tinha defendido que a "Alemanha necessita de gás" e o abastecimento através do Porto de Sines seria uma "oferta que ajuda" Berlim.

"A Europa revelou uma vulnerabilidade grande do ponto de vista energético e Portugal tem condições únicas para ser uma plataforma de fornecimento de energia à Europa", tinha considerado na altura o primeiro-ministro.

"Esta é mais uma oferta que ajuda a Alemanha, mas não só a Alemanha, ajuda a Polónia, ajuda os países do Leste europeu que estão altamente dependentes até agora do fornecimento de gás russo e que estamos todos numa luta contrarrelógio para aumentar essa independência do conjunto da Europa relativamente ao gás russo", acrescentou.
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