Coindu coloca quase meio milhar de trabalhadores em "lay-off"

A empresa de componentes automóveis com fábrica em Joane, Famalicão, levou a cabo dois despedimentos coletivos no ano passado.
Negócios com Lusa 20:25

A Coindu, de componentes têxteis para o setor automóvel com fábrica em Joane, Famalicão, vai colocar 493 trabalhadores em "lay-off" e terá comunicado a decisão aos trabalhadores na segunda-feira, avançou a rádio .

Em comunicado, a empresa sediada em Vila Nova de Famalicão, justifica a decisão com os desafios que tem enfrentado "devido à conjuntura global e à redução de encomendas do setor automóvel".

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A empresa destaca que a conjugação dos recentes eventos relacionados com as tarifas de importação nos principais mercados mundiais, como Estados Unidos e China, juntamente com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, "tem causado um impacto negativo na confiança do mercado".

"Para responder ao excesso temporário de pessoal e à pressão financeira, a empresa vai implementar um 'lay-off' de seis meses, de maio a novembro de 2026. No total, estima-se que as várias fases deste processo venham a abranger 493 colaboradores de diferentes áreas de atividade da empresa ao longo de 2026", detalha o produtor de componentes interiores para automóveis.

O regime de 'lay-off' decidido agora, tendo em conta as dificuldades que continua a enfrentar, será implementado "de forma gradual e limitada, abrangendo trabalhadores sem ocupação efetiva ou afetados pelo setor em que trabalham".

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A empresa informa ainda que a suspensão dos contratos dependerá das necessidades produtivas e será baseada em critérios objetivos, sociais e operacionais.

"Todos os setores da empresa serão impactados em diferentes graus e momentos, sendo a medida aplicada de forma faseada para reduzir e repartir o impacto entre os trabalhadores", acrescenta.

Apesar deste quadro, a Coindu afirma que "mantém o compromisso de minimizar o impacto sobre os colaboradores" e diz acreditar na retoma da atividade em 2027, tendo em conta os projetos já assegurados. A empresa acrescenta que este ajustamento é necessário, face às atuais condições do mercado, para garantir a sua sustentabilidade financeira e continuidade futura.

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A Coindu tem atravessado tempos difíceis, com o encerramento em 2024 da fábrica em Arcos de Valdevez, que empregava três centenas e meia de pessoas, a que se seguiram dois despedimentos coletivos no ano passado. Aquando do segundo despedimento em 2025, a empresa referiu que a medida iria permitir "alinhar a sua capacidade de produção com a carteira de encomendas existente, garantindo a fiabilidade do fornecimento para todos os contratos em vigor".

Em maio do ano passado, a Coindu avançou com o despedimento coletivo de 123 trabalhadores e colocou outros 237 em 'lay-off'. 

Em 2022, entre Arcos de Valdevez e Vila Nova de Famalicão, a Coindu empregava 2.100 trabalhadores. Atualmente, emprega 752 pessoas.

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