Insolvência da corticeira Álvaro Coelho deixa trabalhadores sem salários
O Sindicato dos Corticeiros do Norte revelou esta quinta-feira que a empresa Álvaro Coelho & Irmãos (ACI) declarou insolvência, deixando numa situação "muito complicada" a maioria dos cerca de 130 funcionários que no início do ano estavam ao seu serviço.
O dirigente sindical Alírio Martins não sabe precisar o número de operários afectados nem o montante de salários em atraso porque, segundo declarou à Lusa, a situação da corticeira "é muito complicada", sendo marcada por uma "engalinhada muito grande".
"As duas unidades da ACI - uma em Mozelos e outra em Lourosa - estão encerradas, mas o produto com a marca da casa continua a ser feito noutra empresa, a Corco, e a ser enviado para os clientes", afirmou o sindicalista. "O problema é que a ACI já tinha aberto insolvência há dois anos, pediu um Plano Especial de Revitalização que não funcionou e agora abriu insolvência outra vez, sem pagar aos trabalhadores", acrescenta.
Os montantes em dívida ao pessoal ainda não foram apurados pelo sindicato porque "uns trabalhadores rescindiram os contratos, outros suspenderam-nos e outros têm salários em atraso, mas não se sabe ao certo por quantos meses".
"O patrão a uns ia pagando metade, a outros pagava 25% - pagava a toda a gente de forma diferente e sem lhes entregar os talões [de vencimento]", explica Alírio Martins.
Num comunicado enviado à Lusa e atribuído a trabalhadores da ACI, é referido, contudo, que em causa estará 25% dos honorários de Outubro, a totalidade dos de Novembro e Dezembro, o subsídio de Natal e ainda o ordenado de Janeiro.
A Secção de Comércio do Tribunal de Oliveira de Azeméis entregou a administração da insolvência a Manuel Reinaldo Costa, cujo escritório a Lusa tentou contactar sem sucesso.
No processo constante do portal Citius, do Ministério da Justiça, são listados cerca de 110 credores, entre os quais CTT, diversos bancos, vários fornecedores de cortiça, empresas industriais e dezenas de privados.
Segundo o site da empresa Álvaro Coelho e Filhos, SA, esta fabricante de vedantes foi fundada em 1996 e tem várias unidades em Portugal e no estrangeiro.
Em território nacional, Alírio Martins diz que em funcionamento estará agora apenas a Corco - Cortiças Coelho, Lda., que "é dos mesmos donos, mas tem um número fiscal diferente", e a Álvaro Coelho & Irmãos II - Produção de Cortiça, SA, que está instalada em Ponte de Sor e "continua a funcionar bem".
No estrangeiro, manter-se-ão as unidades da empresa instaladas em Espanha, França, Hungria, Itália, Bulgária, Chile e Estados Unidos.