Rei português dos autoclismos carrega fusões e aquisições internacionais
Após o recuo de 8% para 69 milhões de euros, a OLI sinaliza “o regresso a uma trajetória de crescimento nas vendas, suportado pela concretização de oportunidades de internacionalização em desenvolvimento, bem como pela contínua análise de potenciais parcerias e aquisições”.
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Os últimos dois anos foram agridoces para a OLI, a maior fabricante ibérica de autoclismos, com sede em Aveiro e cujas soluções estão presentes em casas de banho de todo o mundo, de hotéis a hospitais, passando por estádios de futebol e museus.
Após ter avançado com uma operação financeira de 6,5 milhões de euros na aquisição da francesa Regiplast em 2024, ano em que atingiu uma faturação de 75,2 milhões de euros, a OLI viu o seu fundador partir do mundo dos vivos há um mês e fechou o exercício de 2025 com uma queda das vendas em 8% para 69 milhões de euros.
“O desempenho da OLI em 2025 foi condicionado por um contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica e incerteza macroeconómica, com a intensificação dos conflitos no Médio Oriente, a continuidade da guerra na Ucrânia e o agravamento das tensões comerciais globais a terem impacto direto nas vendas”, justifica a empresa, em comunicado.
Neste enquadramento, os mercados do Médio Oriente (menos 47%) e da Europa Central (menos 14%) registaram os maiores decréscimos, “refletindo a elevada exposição destas regiões à volatilidade política, à retração do investimento público e privado e à desaceleração económica”, explica a OLI.
As exportações representaram cerca de 70% do volume de negócios, com os produtos fabricados no complexo industrial de Aveiro a chegarem a mais de 80 países dos cinco continentes.
“Em 2025, a OLI enfrentou desafios relevantes ao nível comercial, resultantes do ajustamento de stocks em clientes estratégicos e da forte contração das vendas para regiões atualmente afetadas por conflitos. Em contrapartida, o mercado português e as filiais, com particular destaque para a alemã, registaram desempenhos positivos”, realça António Ricardo Oliveira, administrador da empresa.
O mercado nacional apresentou um crescimento de 5% e o mercado germânico evoluiu 2%.
Objetivo crescer 10% em 2026
Num contexto internacional marcado por volatilidade macroeconómica e risco geopolítico, a OLI entra em 2026 com uma estratégia “assente na expansão internacional, através de fusões e aquisições, na inovação com o lançamento de novos produtos e na eficiência operacional, por via da automatização de processos e na digitalização da organização”, estabelecendo como objetivo crescer !0% este ano.
Os investimentos nestes três eixos visam “reforçar a criação de valor económico e suportar o crescimento no médio e longo prazo”, aponta a OLI, que se apresenta como “a maior produtora de autoclismos da Europa do Sul” e “parceira dos maiores ‘players’ mundiais de cerâmica sanitária”.
“Para 2026, a empresa antecipa o regresso a uma trajetória de crescimento nas vendas, suportado pela concretização de oportunidades de internacionalização em desenvolvimento, bem como pela contínua análise de potenciais parcerias e aquisições”, sinaliza António Ricardo Oliveira.
Em matéria de investimento, a OLI “manterá um nível elevado e consistente, com foco na automação produtiva, na simplificação e digitalização de processos e, de forma transversal, no reforço da utilização de Inteligência Artificial e de ‘Business Intelligence’”, promete o mesmo administrador.
“Estes investimentos são considerados críticos para assegurar os ganhos de produtividade necessários para responder às exigências do mercado”, enfatiza António Ricardo Oliveira.
A fábrica da OLI em Aveiro trabalha ininterruptamente 24 horas por dia, sete dias por semana, e tem uma produção anual de dois milhões de autoclismos e três milhões de mecanismos.
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