Antigo locutor de rádio Cândido Mota morre aos 82 anos

Radialista foi a voz do "Passageiro na Noite" e destacou-se na apresentação de vários programas de rádio. Viu a sua fama crescer ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José na televisão, na década de 90.
Candido Mota foi uma das vozes mais marcantes da história da rádio
Pedro Gracia/Flash
Lusa 11:15

O antigo locutor de rádio Cândido Mota morreu este domingo de madrugada, aos 82 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado, disse à Lusa fonte familiar.

Cândido Mota, que estava doente há algum tempo, morreu "sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos", acrescentou Teresa Mota, filha do apresentador, não revelando mais detalhes.

PUB

Encontrava-se internado no Hospital de Santa Maria desde o dia 13 de abril, tendo chegado a ser falsamente noticiada a sua morte alguns dias depois.

O radialista, que se destacou na apresentação de vários programas, viu a sua fama crescer ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José na televisão.

Contudo, nos últimos anos afastou-se da vida mediática e atualmente residia na Casa do Artista, em Lisboa.

PUB

Locutor, apresentador de televisão e ator, Cândido Mota construiu um percurso singular, profundamente ligado à evolução da rádio moderna em Portugal.

Nascido a 28 de setembro de 1943, em Espinho, Cândido Soares Pinto da Mota tornou-se uma das vozes mais marcantes da história da rádio portuguesa, reconhecido pelo timbre grave e por uma presença tão discreta quanto determinante na história da comunicação em Portugal.

PUB

Exemplo disso foi o programa noturno "Passageiro da noite", um dos pioneiros na interação direta, em que Cândido Mota cedia o seu espaço para os ouvintes falarem sobre o que lhes apetecesse.

Filho da fadista Maria Albertina, cresceu num ambiente ligado à música e à palavra, tendo assumido, numa entrevista ao programa de Manuel Luís Goucha, em 2022, que fora a sua mãe quem o lançara na vida profissional.

Com uma infância marcada pela morte precoce do pai, Cândido Mota recordou esse episódio e as suas últimas palavras como algo estruturante para a sua vida e sensibilidade artística.

PUB

Iniciou-se profissionalmente na rádio aos 17 anos, no Rádio Clube Português, afirmando-se rapidamente como um locutor de talento distintivo, reconhecimento que se consolidou na Rádio Comercial, com programas como "Em Órbita", "Dançatlântico" e, sobretudo, "O Passageiro da Noite", que viria a ser considerado um marco da rádio portuguesa.

Emitido a partir de 1979, "O Passageiro da Noite" abriu a antena aos ouvintes a partir da meia-noite, tornando-se uma das primeiras experiências interativas da rádio em Portugal.

Décadas mais tarde, ao revisitar o fim do programa, depois de dois anos no ar, Cândido Mota assumiria que "foi a única vez" em que não esteve bem, numa alusão ao desgaste emocional que levou ao fim da emissão, assumindo a sua responsabilidade.

PUB

A partir da década de 1990, Cândido Mota tornou-se também rosto e voz familiar da televisão portuguesa, ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José.

Foi a emblemática 'voz-off' de concursos como "A Roda da Sorte" e "Com a Verdade Me Enganas", na RTP, acompanhando posteriormente o humorista em vários formatos na SIC, e com participações ocasionais em 'sketches' televisivos.

PUB

Enquanto figura histórica da rádio, foi convidado a partilhar o seu testemunho no programa da RTP "No Ar, História da Rádio em Portugal", transmitido em 2010, no qual falou do seu percurso e da conceção da rádio como espaço de intimidade, escuta e participação cívica.

Assumindo-se como uma pessoa empenhada civicamente, Cândido Mota foi militante do Partido Comunista Português e presença regular como locutor e apresentador no Palco 25 de Abril da Festa do Avante!, mantendo ao longo da sua vida pública uma postura política.

Nos últimos anos, foi-se afastando progressivamente da vida mediática, residindo, pelo menos, desde janeiro de 2026 na Casa do Artista, em Lisboa.

PUB
Pub
Pub
Pub