Acionistas da Impresa votam alargamento da administração para incluir membros da MFE
Michele Giraudo, Massimiliano Ventimiglia e Massimo Musolino são os nomes propostos para fazerem parte do "board" da dona da SIC e do Expresso.
Os acionistas da Impresa reúnem-se esta terça-feira, em assembleia-geral (AG) extraordinária, onde vão deliberar o alargamento do Conselho de Administração dos atuais seis para nove membros, permitindo a entrada de três nomes da MFE.
Um dos seis pontos visa deliberar que a administração "passe a integrar nove membros e eleger três novos membros" para o período remanescente do mandato correspondente ao quadriénio 2023-2026, integrando três nomes do grupo italiano MFE - MediaForEurope, o qual é controlado pela família Berlusconi.
Os nomes propostos são Michele Giraudo, 'chief revenue officer' [administrador responsável pelas receitas] da MFE Advertising, Massimiliano Ventimiglia, fundador e presidente executivo (CEO) da Onde Alte, dedicada à inteligência artificial (IA) e 'big data' para meios digitais, e Massimo Musolino, CEO para gestão e operações da Mediaset em Espanha.
"Caso membros propostos venham a ser eleitos, o início das suas funções apenas ocorrerá após a aquisição, pela MFE - MediaForEurope, da qualidade de acionista da Impresa, ao tornar-se titular de 82.500.000,00 ações representativas do capital social" da Impresa, segundo a convocatória.
A dona da SIC e do Expresso anunciou, em 26 de novembro, a parceria com a italiana MFE, através da qual esta irá passar a deter 32,934% da dona da SIC através da subscrição de um aumento de capital no valor de 17,325 milhões de euros, mantendo a família Balsemão (através da Impreger) o controlo do grupo com 33,738%.
A operação está pendente da decisão da CMVM sobre a necessidade ou não de o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) por parte da MFE, sendo que, caso o supervisor determine que tal terá de acontecer, o acordo fica sem efeito.
Ainda na ordem de trabalhos está a deliberação sobre a eleição do presidente e do secretário da mesa da assembleia-geral (AG) para o período 2023-2026, depois de, em 13 de fevereiro, Manuel Castelo Branco e José Guilherme Silva Gomes terem renunciado aos cargos, respetivamente.
A AG extraordinária também irá deliberar novamente, a título cautelar, sobre os pontos aprovados na reunião magna de 20 de dezembro, quando foi autorizado o aumento de capital que abre as portas à entrada dos italianos na dona da SIC.
A acionista minoritária Tilway Management, sociedade anónima de direito panamiano que, de acordo com fontes contactadas pela Lusa, tem menos de 2% da Impresa, entrou com uma ação judicial para invalidar estas deliberações.
A Impresa regressou aos lucros em 2025, registando um resultado líquido de 1,2 milhões de euros, o que compara com prejuízos de 66,2 milhões de euros um ano antes.
As receitas totais deslizaram 0,2% para 181,8 milhões de euros e o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) subiu 1,8% para 18,8 milhões de euros.
"A dívida remunerada líquida reduziu 4,0 milhões de euros, o que corresponde a uma diminuição de 3,1% face ao período homólogo, invertendo a tendência registada nos dois exercícios anteriores. Esta evolução reflete o reforço da geração operacional de caixa e confirma a disciplina na gestão do endividamento e o contínuo fortalecimento da estrutura financeira do grupo", referiu a Impresa, no comunicado dos resultados de 2025.
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