Ana Salazar deve a Ana Salazar
A Ana Salazar, Lda, de Arruda dos Vinhos, entrou em negociações com os seus 180 credores para conseguir firmar uma reestruturação económico-financeira que garanta a continuidade da empresa.
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Em sede de Processo Especial de Revitalização (PER), os créditos reclamados totalizam 3,5 milhões de euros, com o BES a surgir como principal credor (600 mil euros). Os bancos BBVA (36 mil euros), BPI (17 mil euros) e BCP (12 mil euros) também integram a lista.
João Barbosa, dono da empresa, consta da lista como segundo maior credor, reclamando 581 mil euros, créditos considerados subordinados devido à ligação societária do empresário. A Segurança Social reclama 110 mil euros.
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Em Fevereiro do ano passado, a “designer” Ana Salazar abandonou a empresa que tinha criado há mais de 30 anos com o seu nome. Em comunicado, a criadora de moda anunciava que cessava, a partir daquela momento, “qualquer colaboração com a empresa” Ana Salazar, Lda.
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“Confiei que tudo seria gerido da melhor forma pelos investidores, facto que não sucedeu. Passados pouco mais de dois anos, sou forçada a bater com a porta. Não posso mais tolerar uma situação de incumprimento generalizado para com o pessoal os fornecedores, os parceiros e para comigo”, referia a estilista no mesmo comunicado. Em sede de PER da empresa, a contabilidade da empresa regista uma dívida de 3.781 euros a Ana Salazar.
Expansão e retracção
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A história do desequilíbrio económico da cadeia de moda começa em 2009, quando se inicia um processo de expansão da marca, “com a abertura sequencial de lojas”. No entanto, no PER que decorre no Tribunal de Comércio de Lisboa é revelado que com “a alteração do ambiente macroeconómico, a redução do consumo, o investimento tornou-se contracíclico... ”
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Desse investimento resultou então um endividamento elevado, com decorrentes elevados custos de financiamento, e grandes dificuldades em cumprir as obrigações fiscais, bem como o pagamento atempado a trabalhadores e a fornecedores.
Para justificar a validade PER pedido, o actual gerente, João Barbosa, garante que após ter adquirido a totalidade das quotas da empresa, implementou uma gestão mais eficaz e eficiente. O gerente garante que desde 2011 começou a reestruturar a empresa, através da redução dos custos de operação, com o encerramento, por exemplo, de três lojas (Porto, Aveiro e Faro) e o despedimento de trabalhadores no atelier e nos pontos de venda; a renegociação da dívida fiscal através do pagamento faseado e o pagamento de salários; a redução de consumíveis (stocks e tecidos) e o plafonamento das despesas de representação. A redução de gastos com pessoal passou de 414 mil euros, em 2011, para 90 mil euros no ano passado.
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Do plano consta ainda a necessidade de planear acordos de pagamento da dívida com banca e fornecedores por forma a readquirir a sua confiança. É garantido que a empresa tem cumprido as suas responsabilidades, mas que o PER é essencial para evitar a permanente entrada de acções de execução que perturbam o normal funcionamento da empresa.
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Apesar de garantir que o negócio tem sustentabilidade, o facto é que a facturação da empresa baixou quase metade, dos 819.940 euros em 2011 para 424.290 euros no ano passado, o que em parte se deve explicar pelo redimensionamento do negócio. O resultado liquido de 2012 é negativo em quase 178 mil euros, ainda assim muito abaixo dos 571 mil euros do ano anterior.
(Correcção: A facturação da empresa baixou para quase metade e não 100%)
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