Como financiar a sua empresa
A banca pode estar a apertar as condições de atribuição de créditos e a aumentar os custos associados, mas as pequenas e médias empresas não têm muitas alternativas. As necessidades de tesouraria obrigam a recursos de curto prazo que muitas vezes se conseguem em instrumentos bancários. Apesar de a teoria dizer que as dívidas de curto prazo não devem ter um peso grande, as PME admitem ser difíceis os financiamentos a prazos mais longos.
A banca pode estar a apertar as condições de atribuição de créditos e a aumentar os custos associados, mas as pequenas e médias empresas não têm muitas alternativas. As necessidades de tesouraria obrigam a recursos de curto prazo que muitas vezes se conseguem em instrumentos bancários. Apesar de a teoria dizer que as dívidas de curto prazo não devem ter um peso grande, as PME admitem ser difíceis os financiamentos a prazos mais longos.
Os desafios das micro e pequenas e médias (PME) empresas são muitos na actual crise económica, mas um dos principais é o financiamento. Onde ir buscar dinheiro para sustentar a actividade? A banca é a primeira e mais provável hipótese. Os bancos comerciais têm vários instrumentos, especialmente no curto prazo, que garantem financiamento acessível às PME, que muitas vezes não conseguem créditos de médio ou longo prazo por não terem garantias reais para dar.
O problema de uma parte das micro e PME é que os endividamentos de curto prazo são superiores ao que deveriam ser. Várias associações empresariais têm alertado para a necessidade de se encontrar instrumentos que ajudem as PME a reestruturar as suas dívidas.
Para o financiamento de curto prazo, os bancos são as principais fontes, mas há outras. O "factoring", que consiste na transferência dos créditos dos clientes para uma empresa que, depois, os cobra, é um mecanismo importante de financiamento de curto prazo, podendo esse "factoring" estar associado a uma cobertura de risco. A Associação de Leasing e Factoring (ALF) admite ao Negócios que "o 'factoring' é um produto que, geralmente, se dá bem em situações de crise", já que "as necessidades das empresas em obter liquidez, faz aumentar a procura do 'factoring' que financia a tesouraria".
Na componente de curto prazo é ainda referido por José Pinto dos Santos os financiamentos conseguidos com os fornecedores, nomeadamente pelos descontos dos pagamentos a pronto.
Em relação aos créditos junto dos fornecedores, o professor da AESE lembra que esses podem ter um custo implícito elevado. Há, pois, que aferir as condições dos créditos. Um mecanismo pouco utilizado em Portugal de financiamento de curto prazo é o designado "hot money", em que um grupo de investidores com recursos está disponível para emprestar dinheiro com boas garantias.
O papel comercial não é praticamente utilizado pelas PME, já que têm de ter um bom "rating" implícito ou explícito para conseguirem investidores. O papel comercial e a emissão de obrigações (mais de longo prazo) é usado, quase em exclusivo, pelas grandes empresas. No longo prazo, o "leasing" é uma opção a considerar, ainda que seja uma fonte utilizada para financiar investimentos e estes estão em queda.
Além de financiar-se com capitais alheios, as PME têm de considerar, em muitos casos, um reforço dos capitais próprios. E aí as opções são ainda menores: ou se consegue junto dos sócios ou accionistas (capital, suprimentos, prestações acessórias), ou se consegue com terceiros (capital de risco, investidores ou mercado de capitais), o que muitas vezes não é do agrado das PME, pois temem perder o controlo da sua empresa.
Vantagens:
Riscos:
O "leasing" (aluguer) e o "factoring" (cedência de créditos a uma empresa que trata da sua cobrança) são duas formas de financiamento das PME. O "leasing" vocaciona-se mais para actividades de investimento e o "factoring" para reforço de tesouraria. O "leasing" pode ser mobiliário e imobiliário, tendo no ano passado a produção destes dois tipos de alugueres atingido, respectivamente, 4,0 e 2,4 mil milhões de euros. Já em relação ao "factoring", no ano passado os créditos tomados atingiram 23,4 mil milhões de euros, mais 13,83% que em 2007. Vantagens:
Perigos:
A emissão de papel comercial (um título de dívida) teve, em 2004, um novo fôlego com a alteração das regras. Pretendeu-se, na altura, incentivar a emissão de papel comercial por parte das empresas. Das alterações então introduzidas, eliminou-se a exigibilidade de "rating" ou notação para estas emissões ou de prestação de garantia quando os emitentes tivessem capitais próprios ou património líquido não inferiores a cinco milhões de euros ou sempre que o valor nominal unitário da emissão fosse igual ou superior a 50 mil euros. O papel comercial é visto como um instrumento de financiamento de curto prazo emitido em Portugal (o homólogo internacional é o Euro Commercial Paper). As obrigações são financiamentos de médio prazo. Vantagens:
Riscos:
A Euronext, mercado no qual está integrada a Bolsa de Valores de Lisboa, criou o Alternext, um mercado alternativo destinado às pequenas e médias empresas. Mas, até hoje, nenhuma empresa portuguesa pediu a sua listagem nesse mercado. As empresas para entrarem nesta bolsa, através de uma oferta pública de dispersão, a esta bolsa têm de ter um "free float" (capital disperso) de pelo menos 2,5 milhões de euros e têm de fazer um prospecto aprovado pelo regulador. Podem, no entanto, entrar as empresas que tenham feito uma colocação privado de pelo menos cinco milhões por cinco ou mais investidores.
Vantagens:
Riscos:
Tal como na dispersão de capital em bolsa, esta componente do capital de risco e dos "business angels" visa reforçar os capitais próprios das empresas e não visa o financiamento através de capitais alheios. O capital de risco é um instrumento importante de financiamento no arranque das empresas e na fase de consolidação. Em Portugal, a associação de capital de risco diz existirem disponíveis para investimento pela indústria cerca de 500 milhões de euros, além dos fundos que estão a ser recolhidos. A InovCapital, por exemplo, que é a capital de risco pública, vai reforçar as suas verbas em 100 milhões de euros.
Vantagens:
Riscos:
Vantagens:
Riscos:
A União Europeia considera as PME como prioritárias para a disponibilização de incentivos comunitários. Os programas de apoio dedicados a este segmento empresarial são vários. O Quadro de Referência Nacional (QREN) de 2007 a 2013 tem três programas operacionais: Factores de Competitividade, Potencial Humano e Valorização do Território. No programa para a competitividade, as empresas podem candidatar-se a incentivos para investigação e desenvolvimento tecnológico, para a inovação e para a qualificação e internacionalização de PME.
Vantagens:
Riscos: