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Conquistar um lugar à mesa nas reservas on-line

Até há bem pouco tempo Portugal não contava com um serviço especializado para reservar mesas em restaurantes através da Internet. Este ano ganhou dois. E prosperam. Com abordagens diferentes ao negócio, a MyTable e a BestTables propõem-se explorar um mercado onde identificam oportunidades.

Joana M. Fernandes / Casa dos Bits 14 de Julho de 2011 às 15:58
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"Portugal é um país ligado à gastronomia onde este tipo de ofertas não existia", nota o director de marketing e parcerias do MyTable, o primeiro serviço português inteiramente dedicado à reserva de mesas on-line. Pedro Reis, Pedro Magalhães e Miguel Silva, os responsáveis pelo projecto, inspiraram-se em soluções internacionais como o Top Tables e o Open Table e preparam-se para expandir o negócio ainda este ano.

A este lançamento seguiu-se o do BestTables, que apostou na diferenciação para concorrer. Desenvolveu uma plataforma integrada que faz a gestão automática dos lugares disponíveis num estabelecimento e de todas as reservas do restaurante, sejam estas efectuadas através da Web ou não.

A empresa, com o mesmo nome do serviço, é constituída por cinco pessoas, entre as quais o mentor do projecto, Ricardo Sécio. Aos 35 anos, o actual CEO e sócio fundador da BestTables, já tinha passado por companhias como a IBM ou a Impresa (onde foi responsável por áreas como o marketing, Internet e multimédia) quando identificou a oportunidade de negócio que constituía a Internet enquanto meio para agilizar o processo de reservas em restaurantes e promover os estabelecimentos junto dos potenciais clientes. E investiu.

Quatrocentos e cinquenta mil euros foi quanto custou a execução do projecto, levada a cabo em parceria com a tecnológica portuguesa Rupeal e com a colaboração de chefs e mestres de sala de restaurantes como o Olivier, Alma ou Feitoria. O projecto contou também com o investimento da empresa estatal de capital de risco InovCapital, vocacionada para apoiar o empreendedorismo e dar suporte a projectos nas áreas da inovação e internacionalização.

O objectivo? "Criar um sistema de pesquisa e reservas on-line que fosse o mais avançado do mundo", atira Ricardo, sem rodeios. "Era preciso um sistema que fosse capaz de sentar ele as pessoas", explica. O serviço de reservas em tempo real seria lançado após um ano e meio de investigação e desenvolvimento, em Abril de 2011, acessível ao público em www.besttables.com e composto também por um software de gestão disponibilizado de forma gratuita aos restaurantes, que pagam em função do número de reservas marcadas a partir do portal.

O modelo de pagamento é em tudo semelhante àquele a que recorre o MyTable, com a diferença a residir principalmente na plataforma e na forma como é feita a interacção entre clientes, serviço e restaurantes. Aqui os restaurantes atribuem algumas mesas ao serviço, ficando este responsável pelas reservas e sua comunicação ao estabelecimento - por SMS, telefone ou email. Existe também a possibilidade dos restaurantes acederem a uma plataforma baseada na Web (backoffice), onde podem indicar as mesas disponíveis e receber reservas.

O sistema é mais simples, mas nem por isso lhe tem faltado sucesso. Pouco depois da estreia on-line em Janeiro, e ainda em versão beta, foi escolhido como parceiro da Lisboa Restaurant Week, em finais de Março. A primeira "prova de fogo" foi superada sem reclamações, segundo os responsáveis pelo serviço.

Neste caso, o investimento - de aproximadamente 50 mil euros - ficou totalmente a cargo dos três licenciados em Informática e Gestão de Empresas, que recorreram ao crédito. O MyTable é detido na totalidade pela empresa que formaram, a Índice Virtual, mas foi desenvolvido com o apoio de uma parceira tecnológica nacional, a IBT.

O balanço é positivo. No final de Maio tinham sido processadas mais de três mil reservas e o portefólio de restaurantes tinha passado dos 30, registados à data de lançamento, para 140. De acordo com as últimas previsões, a empresa atingirá o break even (que lhe permitirá cobrir o investimento feito) no primeiro trimestre de 2012. A data constitui um desvio de poucos meses relativamente às primeiras previsões, que apontavam para o final de 2011, mas Pedro Magalhães, sócio gerente, garante tratar-se de "uma aposta ganha", até porque as características do mercado se têm alterado.

Os jovens empreendedores - todos com idades inferiores a 30 anos - submeteram também uma candidatura ao Sistema de Incentivos à Inovação para Projectos de Empreendedorismo, que ainda se encontra em processo de aprovação. O apoio financeiro será afectado à expansão do negócio e ao investimento em mais tecnologia, adiantou o responsável.

Nos planos da empresa está, para já, o lançamento de uma aplicação móvel para o serviço, a lançar depois do Verão. Antes de Agosto será ainda apresentada uma nova versão do site www.mytable.pt, que perde a classificação de "beta" e ganha correcções e novas funcionalidades - a possibilidade de requisitar produtos e serviços adicionais, como a entrega de flores no restaurante, por exemplo.

Ainda antes disso deverá ficar disponível a nova versão do concorrente www.besttables.com, com lançamento agendado para Julho. O reforço da aposta reflecte o acolhimento que o serviço tem registado. No final do mês em que foi lançada a versão beta, contava com cerca de 70 restaurantes afiliados, actualmente o lote é composto por 250 estabelecimentos, escolhidos em função da qualidade média de experiência no restaurante. Esta selecção é apontada como um dos factores chave, numa lista que a empresa garante ser pautada por locais de referência - premiados ou cuja qualidade seja comummente reconhecida.

A ambição está a dar frutos. Embora o CEO não avance números relativamente ao retorno financeiro ou reservas processadas desde Abril, o site conta agora com uma média de duas mil visitas diárias. Na calha pode estar também a exportação para outros países. "Na semana em que lançámos o serviço recebemos contactos de investidores europeus", revelou o director executivo.

A internacionalização é também um dos objectivos do MyTable, que aponta a América Latina como "alvo primário", tendo já "desenvolvido contactos nesse sentido". Os planos não serão, no entanto, para levar a cabo antes do último trimestre deste ano ou do início de 2012, admitiu a empresa.

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