pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Empreendedorismo Verde O mundo não é um cinzeiro

Os alunos de Engenharia do Ambiente da Universidade Lusófona planeiam ter o primeiro "campus" livre de beatas. Sob a orientação de Thomas Azwell, querem que a iniciativa se alastre da universidade para o mundo.

16 de Dezembro de 2010 às 15:09

"Empreendedorismo Verde" | Estudantes da Universidade Lusófona lançaram projecto para combater a praga das beatas.

Eliminar as beatas. Primeiro na escola, depois na cidade e, quem sabe, no mundo. É este o objectivo dos estudantes do curso de engenharia do ambiente, da Universidade Lusófona, que participaram no curso de "Empreendedorismo Verde", produto do protocolo existente entre a instituição e a Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos da América.

"Empreendedorismo Verde" | Estudantes da Universidade Lusófona lançaram projecto para combater a praga das beatas.

Com o projecto "The World is not an Ashtray", pretendem fazer da universidade um exemplo na remoção das beatas do solo. Como? Através de uma campanha de sensibilização, de recolocação estratégica de cinzeiros e da aquisição de outros portáteis, como os "stubbis", para que ninguém tenha desculpa para atirar a beata para o chão. Os "stubbis" parecem porta-moedas, à prova de fogo, que apagam os cigarros, onde quer que esteja. Apesar de ser um projecto 100% português, o desafio foi proposto por Thomas Azwell aos estudantes. E já começou a mudar mentalidades.

Os alunos esclarecem: não é um projecto contra fumadores, mas a favor do ambiente. Sob a orientação de Thomas Azwell e de Ryan Carney, professores da Universidade de Berkeley, tiveram a oportunidade de elaborar um projecto como se fosse um negócio, em duas semanas. "Descobriram que a eliminação de beatas é um problema mundial, que são bastante tóxicas, qual é o seu destino, como é que acabam na água, por exemplo, e como é que a economia está a lidar com esse problema", explica Thomas Azwell. Por isso, fizeram investigação, encontraram soluções e apresentaram-nas na Universidade Lusófona, a 10 de Dezembro passado.

"O nosso plano é trabalhar com qualquer negócio que possa beneficiar da eliminação das beatas do ambiente. Do Governo ao Turismo, ao sector das Pescas, qualquer negócio que beneficie positivamente desta solução", comenta o professor. Já têm o "slogan", vão criar um logótipo, fazer uma campanha de sensibilização e querem ser pioneiros na matéria. "Este vai ser o primeiro 'campus' livre de beatas. Se conseguirmos fazer da Lusófona um projecto com sucesso, então pode servir como modelo para outros locais do mundo."

A ideia vai ajudar a criar outras ideias. Os estudantes de engenharia, por exemplo, terão de desenvolver novas estruturas, como os cinzeiros portáteis. "Tenho muita fé neste projecto. Os alunos trabalharam muito e estou confiante de que terá sucesso aqui na universidade. Acho que vai trazer novas oportunidades de carreira àqueles que estão a terminar o curso, na área da consultadoria ambiental. É uma ideia simples que pode tornar-se numa oportunidade de negócio", diz.

190 mil elefantes

Na apresentação do projecto, passaram pela mão dos espectadores filtros, um cinzeiro portátil e uma garrafa de água de 1,5 litros com uma beata lá dentro há cinco dias. A cor amarelada não deixa margem para dúvidas quanto à sua toxicidade. Cerca de 95% dos filtros são compostos por acetato de celulose, um composto sintético bastante poluente. Quando se fuma, ficam contaminados por diversas toxinas como o alcatrão ou a acetona.

Segundo os estudantes, uma beata demora cerca de 12 anos a decompor-se, sendo que a produção mundial de beatas pesa 952 mil toneladas no mundo, o que equivale ao peso de 190 mil elefantes, de cinco toneladas cada. Para ajudar a diminuir este peso, é preciso mudar hábitos individualmente.

Projecto apresentado, é hora de "pôr mãos à obra". António Prôa, um dos alunos envolvidos, explica que querem aprofundar os conhecimentos e as consequências que este problema tem para o meio ambiente. "Pretendemos fazer isto passo a passo. Primeiro, implementar o projecto na universidade: não queremos ver uma beata no chão. Isso seria o sucesso total", diz.

Para que isso aconteça, há duas coisas que devem fazer: encontrar parceiros que se queiram envolver no projecto e que possam custear alguns dos aspectos que implica este conjunto de acções, e comprometer a administração da universidade. "As autarquias também têm que sensibilizar para este problema, assim como as grandes empresas ou as empresas de transportes. Essas entidades também têm que se envolver como parceiros", revela.

Só na faculdade, vão ser precisos mais 23 cinzeiros estrategicamente colocados, o que significa um investimento de 1.327 euros, só em cinzeiros. O projecto arranca a 22 de Abril, dia Mundial da Terra. O objectivo é que se alastre a Lisboa, pelo país e pelo mundo.

Bilhete de identidade

Nome Thomas Azwell

Funções É professor e investigador na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos da América. Especialista em questões ambientais, integra a equipa de peritos encarregues de elaborar um relatório sobre o derrame de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, a pedido do presidente norte-americano Barack Obama, com o objectivo de descobrir quais os seus impactos ambientais e as soluções.

Inovação interdisciplinar

O protocolo entre a Universidade Lusófona e a Universidade de Berkeley pretende desenvolver projectos inovadores na área do ambiente.

Thomas Azwell é um dos rostos do programa de "Empreendedorismo Verde", que decorre no âmbito do protocolo existente entre a Universidade Lusófona e a Universidade de Berkeley.

O programa está activo desde Junho de 2010 e visa estabelecer um esquema interdisciplinar, de médio a longo prazo, que servirá de base para o desenvolvimento de projectos inovadores na área do ambiente.

Da Universidade de Berkeley, veio também Ryan Carney, professor no departamento de Gestão, Política e Ciência Ambiental, da mesma Universidade. O departamento de Engenharia do Ambiente da Universidade Lusófona, conta com uma equipa coordenada cientificamente por Valdemar Rodrigues e que integra Maria Elvira Calapez e Maria da Graça Gonçalves, assim como Henrique Coelho e Fernando Jorge Costa.

O coordenador do programa é Francisco Faria Ferreira, do conselho de administração da COFAC.

Ver comentários
Publicidade
C•Studio