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Há meninas a sonhar com esta profissão

Era uma vez uma senhora crescida e uma menina pequenina. "O que queres ser quando fores grande?", perguntou a senhora crescida, que era educadora de infância. E a menina pequenina, que tinha cinco ou seis anos, já sabia palavras dos adultos: "Quero ser...

Germano Oliveira 27 de Agosto de 2009 às 15:59
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Quando era pequena, Sara Rego queria ser contabilista, para ajudar no negócio dos pais. Hoje, é a decoração que lhe preenche os dias

Era uma vez uma senhora crescida e uma menina pequenina. "O que queres ser quando fores grande?", perguntou a senhora crescida, que era educadora de infância. E a menina pequenina, que tinha cinco ou seis anos, já sabia palavras dos adultos: "Quero ser contabilista".

Um dia, a menina cresceu e tirou um curso para ter uma profissão a rimar com contabilista: foi para a universidade tentar ser economista. Hoje, não é contabilista nem economista, apesar de ter o canudo em economia - é decoradora, ainda que tenha funções de gestão, e preferiu estar em Paredes em vez de ficar por Londres ou Praga.

Ela, que já foi menina e hoje é crescida, chama-se Sara Rego, tem 29 anos e é directora administrativa da Decorações Gina. A empresa, que tem o nome da mãe, fabrica e comercializa cortinas, cortinados, reposteiros, estores e elementos afins. Os artigos são concebidos directamente para os lares ou para unidades hoteleiras.


Casamento empreendedor
Mas esta história de gente que empreende é tripartida. Pouco depois de se casarem, em finas da década de 70, os pais de Sara Rego começaram a discutir a hipótese de lançar um negócio. O pai, Carlos Rego, era motorista da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), "mas tinha aquele bichinho de criar" - é a própria filha que o diz. A mãe, Angelina Barbosa, trabalhava numa fábrica e estava disposta a pegar no diminutivo do seu nome para abrir um pequeno negócio.






Nome: Decorações Gina
Ano de criação: 1981
Sede: Paredes
Área de negócio: produção e comercialização de cortinas, cortinados, reposteiros, estores, sanefas, tapeçarias e "todos os coordenados têxteis essenciais à personalização de soluções decorativas para o lar ou hotelaria"
Facturação: 600 mil euros (previsão 2009)
Postos de trabalho: cerca de 20




Assim, em 1981, a coisa fez-se mesmo: foi criada a Casa Gina. E nasceu tudo numa pequena cave - hoje, o negócio já dispõe quase de dois mil metros quadrados.

Praga, Londres e Paredes
Durante alguns anos, o pai de Sara Rego manteve a sua actividade no Porto, enquanto condutor da STCP. Mas o inevitável deu-se mesmo entre 1986 e 1987, quando Carlos Rego passa a dedicar-se a tempo inteiro ao negócio com o nome da esposa. Nesse ano, a Casa Gina aposta num ligeiro "rebranding" e passa a ser a Decorações Gina.

Enquanto estas mudanças se davam na vida dos progenitores, a então menina Sara começava a sonhar em ser contabilista. "Eu queria ajudar os meus pais no negócio. Era por isso", conta.
Não é que a vontade de ajudar a família tenha mudado, mas o destino académico acabou por ser o curso de economia, iniciado em 1997. Já com o canudo, seguiu-se o estágio numa área completamente diferente daquela que ocupou os pais de Sara. Em 2004, partiu para a República Checa e trabalhou na Globair, uma empresa de representação de companhias aéreas.

Durante alguns meses, Praga foi a casa da menina de Paredes. Mas apesar dos encantos da cidade de Kafka, Sara Rego acabou por regressar a casa. Em 2004, assumiu a liderança do negócio da família e, um ano mais tarde, partiu para o Reino Unido. Objectivo: estudar decoração de interiores na Inchbald Design School, onde se graduou.

Apesar dos encantos londrinos, regressou a Portugal. A economia, essa, ficou quase para trás. "Tento manter-me actualizada. E é uma área que sempre ajuda na gestão da empresa", diz Sara Rego, uma mulher que tem por profissão o sonho de muitas meninas - a decoração.

O homem que esteve ao volante quer uma fábrica

Ao primeiro impacto, o pai de Sara Rego, que já foi motorista de autocarro e que hoje é empresário, não parece ser homem de muitas palavras. Poucos minutos após o Negócios ter começado a falar com a filha, Carlos Rego sentou-se à mesa onde a conversa decorria. Durante cerca de 40 minutos, não disse praticamente uma palavra, mas deu para perceber que aprova o que a filha vai contando.

No fim da conversa, e quando chega o momento em que o repórter fotográfico "rapta" Sara Rego para tirar algumas imagens, Carlos Rego decide falar no seu sonho. "Quero ter uma fábrica a sério. Já vi o terreno e consigo fazer o que quero com meio milhão de euros", explica.

"Já fui à Holanda, que é onde há as melhores fábricas desta área. Eles são muito fechados, mas não se assustaram comigo. Deixaram-me ver. É este o meu grande projecto para a empresa", conta.
Após esta breve revelação, chega a vez de Carlos Rego ir posar para a fotografia e a conversa é interrompida. Ele que é um homem que se fez na aventura de empreender: do volante de um autocarro, ao serviço da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, chegou a patrão de si próprio em menos de uma década. E continua a querer investir. Nada mal.
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