Laser Leap - Inovação à flor da pele
Depois de ganhar o prémio BES Inovação, Carlos Serpa percebeu que o Laser Leap tinha potencial enquanto projecto empresarial. Vencido o RedEmprendia, têm 200 mil euros para investir na aplicação de fármacos através de técnicas laser.
Em 2007, já tinha surgido a necessidade de promover a administração de um fármaco em desenvolvimento através da pele. "Ainda que se tivesse alcançado algum sucesso, a passagem através da pele demorava demasiado tempo", comenta. No ano seguinte, começaram a procurar métodos alternativos. Encontraram a utilização de ondas de pressão induzidas por luz laser na literatura científica. "A Fotoacústica, em que o prefixo 'foto' significa luz e 'acústica' significa som, tem sido um dos campos de investigação fundamentais no nosso grupo nos últimos 20 anos", diz o investigador.
Quando começaram a experimentar o novo método notaram que, ao introduzir inovações, o processo tornava-se mais eficiente. Foi quando ganharam o Prémio BES Inovação, em 2008, que tiveram consciência de que a sua investigação poderia tornar-se um negócio. No início de 2009, começaram a actividade enquanto projecto empresarial. Mas, confessa: "apenas o ambiente intelectual estimulante do nosso grupo de investigação e a abertura à inovação existente na Universidade de Coimbra permitiram desenvolver o projecto até ao seu estádio actual".
Ponte entre tecnologia e empresas
Concorreram ao prémio da RedEmprendia porque preenchia um vazio entre os financiamentos tradicionais, mais vocacionados para investigação fundamental e os presentes no mercado de capitais, como os "business angels". "Trata-se de uma 'ponte' muito necessária para a concretização da transferência de tecnologia entre a universidade e o mundo empresarial", comenta. Ganharam. O processo foi competitivo, mas Carlos Serpa e os restantes promotores não cruzaram os braços. "Esforçámo-nos por fazer um projecto ganhador." Com os 200 mil euros de prémio, pretendem trabalhar em três campos: consolidar a propriedade intelectual, fazer um protótipo do dispositivo médico e demonstrar o método para alguns medicamentos modelo. Estabeleceram como prioridade as aplicações dermatológicas e cosméticas. "Nestes campos existem vários tratamentos em que é necessário assegurar que uma elevada concentração de medicamento atinja a derme em poucos minutos, algo que, aliás, já provámos ser possível com a nossa metodologia", explica.
Quando questionado sobre se sempre foi um empreendedor, Carlos Serpa não hesita. "Bem, o que eu sou (e quero ser) é um cientista."E acrescenta: "Enquanto investigador, estou mais atento a novas ideias ou métodos passíveis de serem úteis para a sociedade." Foi este mesmo ambiente que o levou a frequentar o Curso de Empreendedorismo Tecnológico proporcionado pela Universidade de Coimbra.
De resto, Carlos Serpa tem trabalhado sempre em investigação científica. Ainda que ligado ao Departamento de Química da Universidade de Coimbra, também esteve cerca de um ano nos Estados Unidos da América, no Califórnia Institute of Technology. Os temas a que se tem dedicado são diversificados, desde a conversão de energia solar ao "folding" de proteínas (forma como se enrolam), mas sempre com a interacção da luz com a matéria como pano de fundo.
Bilhete de identidade
Nome Laser Leap
Sede Coimbra
Sector de actividade instrumentação médica.
Início de actividade inicio de 2009
Investimento inicial 285 mil euros
Promotores do projecto Gonçalo de Sá, Carlos Serpa, Luís G. Arnaut - investigadores do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Oito universidades europeias e sete latino-americanas juntam-se à Universia e ao Banco Santander para promover a valorização da investigação universitária.
A Rede Universitária Ibero-americana de Incubação de Empresa (RedEmprendia) é constituída por quinze universidades (oito europeias e sete da América Latina) e dedica-se ao estudo e promoção da valorização da investigação universitária, desde a concepção da ideia à aceleração das empresas incubadas, passando por todas as fases intermédias do empreendimento universitário.
Entre os membros da RedEmprendia, encontra-se a Universia (maior rede de universidades de língua hispânica e portuguesa) e o Banco Santander. Este último participa através da Divisão Global Santander Universidades, cuja actividade constitui o eixo principal da Responsabilidade Social do Banco, mantendo uma relação com mais de 800 universidades na América, China, Espanha, Marrocos, Portugal, Reino Unido e Rússia.
Dentro da RedEmprendia, existe um programa de ajudas para apoiar a valorização de projectos de investimentos, que atribui 200 mil euros ao projecto vencedor. Objectivo: facilitar o desenvolvimento de projectos de investigação altamente inovadores e com potencial comercial, desde a sua fase pré-concorrencial até uma prova de conceito ou protótipo que aumente o seu valor e possibilidade de transferência até ao tecido produtivo. A este programa podem concorrer todos os grupos de investigação das universidades associadas à RedEmprendia.