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Projectos com meios para andar

Na faculdade, não passavam de ideias inovadoras, mas Ricardo Carvalho e João Noéme não hesitaram em pô-las em prática. Conheça as histórias da Carcrash e da UAVision, duas empresas apoiadas pela Bolsa de Ideias e Meios, do IAPMEI...

Ana Pimentel 01 de Abril de 2010 às 11:38
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Na faculdade, não passavam de ideias inovadoras, mas Ricardo Carvalho e João Noéme não hesitaram em pô-las em prática. Conheça as histórias da Carcrash e da UAVision, duas empresas apoiadas pela Bolsa de Ideias e Meios, do IAPMEI

A Carcrash nasceu em contexto académico. Ricardo Carvalho e outros cinco promotores queriam responder à lacuna que existia no mercado. Objectivo: reconstituir cientificamente acidentes, através de simulações computacionais. Três anos depois, os seus serviços são requeridos por seguradoras, advogadas e até tribunais. Foi com o apoio da Bolsa de Ideias e Meios (BIM) que estruturam o seu plano de negócios e avançaram com a ideia. Daí a lançarem a empresa, foi um salto.

Dinamizar o empreendedorismo inovador. É este o objectivo do BIM, uma iniciativa do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI). Além de captar ideias e projectos de negócio, também trabalha para a captação de recursos para o empreendedor. Desde 1996 que as suas candidaturas se encontram permanentemente abertas, sobretudo, para projectos de base tecnológica. "A BIM tem sido sucessivamente integrada nos diversos programas promovidos pelo IAPMEI", explica Rita Seabra, responsável pela área de apoio ao empreendedorismo do IAPMEI. Neste momento, funciona em conjugação com o programa FINICIA, na dinamização do empreendedorismo inovador.

Todos os detentores de ideias, pessoas singulares ou colectivas com ideias inovadoras para a criação de novas empresas, podem concorrer. Mas não só. O BIM também visa captar potenciais investidores, detentores de capital, "know-how", tecnologia, instalação, equipamentos ou outros meios necessários à viabilização de uma ideia e "que estejam dispostos a afectá-los à criação de uma empresa".

"É muito fácil" concorrer à BIM, explica Rita Seabra. "Basta preencher e enviar o formulário de candidatura, disponível para "download" no sítio do IAPMEI. É um facto: a internet veio agilizar todo o procedimento. A versão electrónica do programa, BIM on-line, facilita o processo de candidatura, acompanhamento e evolução dos projectos. Mais: divulga, de forma sistemática, as ideias e meios em carteira, potenciando as hipóteses de associação com outras iniciativas do IAPMEI ou de outros parceiros. "Funciona como uma espécie de 'porta de entrada' fácil, para quem quer começar a ter o seu projecto inovador no 'circuito' das muitas entidades ligadas ao empreendedorismo, em Portugal", acrescenta Rita Seabra.






Ricardo Carvalho é um dos seis prmotores da Carcrash, empresa que faz a reconstituição científica de acidentes. Com 28 anos, este licenciado em Engenharia Mecânica, tem o mercado segurador como seu principal cliente.


Estruturar ideias

Surgiu em contexto académico, mas defendida a tese de mestrado, chegou a altura de "pôr mãos à obra". É assim que nasce a Carcrash, de Ricardo Carvalho

Reconstituição científica de acidentes: é esta a actividade da Carcrash. Lançada em Outubro de 2006, o projecto de Ricardo Carvalho, 28 anos, contou com o apoio da Bolsa de Ideias e Meios (BIM) desde o início. Quando terminou o mestrado em Engenharia Mecânica, pelo Instituto Superior Técnico, arregaçou as mangas e deu voz à ideia que tinha nascido em contexto académico.

No início, o projecto contava com um grupo de seis promotores.

"Sabíamos que tínhamos uma vantagem competitiva, porque não existia nenhuma empresa especializada na reconstituição científica de acidentes. Viemos responder a esta lacuna", explica o "managing partner". Por isso, assim que defendeu a sua tese de mestrado principiou a actividade da empresa. "Quando pretendemos iniciar a Carcrash, fizemos uma pesquisa.

Foi assim que chegámos ao IAPMEI e encontrámos a BIM", explica. A decisão foi imediata. Contactaram directamente o programa e efectuaram a candidatura. "O formulário era bastante aceitável para uma empresa que se quer iniciar", diz. Com pouca burocracia, foi o ponto de partida para estruturarem as suas ideias e perceberem o que se pretendia.

"Foi um processo bastante fácil e célere, e as pessoas foram bastante prestáveis", acrescenta. Apresentaram a candidatura em Junho de 2006 e em Outubro do mesmo ano, já estava aprovada.

No início de 2007, iniciaram a sua actividade. "Correu tudo de acordo com o que tínhamos previsto", explica.
Foi a BIM que lhes deu a oportunidade de elaborarem o plano de negócios, "útil porque põe as 'coisas' no papel e faz-nos pensar sobre elas". O "managing partner" da Carcrash e os outros cinco promotores já tinham ideia do que queriam fazer do ponto de vista técnico. Contudo, explica que elaborar um plano de negócios é sempre importante, "quer se siga ou não".

A ideia inicial do projecto continua a ser o 'cuore business' da empresa: as simulações computacionais de acidentes. Contudo, foram sofrendo algumas alterações. Até agora, "está tudo a correr bem".

O principal mercado da empresa que tem sede em Lisboa é o segurador, mas os seus serviços já foram requisitados por advogados e juízes, na tentativa de decidirem sobre alguns acidentes.

Durante dois anos, foram tendo vários apoios do IAPMEI e esperam poder contar com apoio do Instituto no futuro, caso necessitem.

Na verdade, têm consciência de que teriam lançado a empresa de qualquer forma, mas reconhecem que teria sido um processo mais moroso e que não estariam tão bem preparados para os vários desafios que lhes surgem.

"O apoio que nos foi dado permitiu esquematizar e sentir qual era a visão do mercado", diz.
Ricardo Carvalho explica que a elaboração do plano de negócios é o primeiro passo a dar na vida de uma empresa. Esquematiza a ideia e "dá abertura" para outras situações. Três anos depois, continuam a esclarecer os enigmas da estrada.



E não têm sido poucos os empreendedores que passaram pelo programa. Durante cerca de 15 anos, foram analisadas mais de 600 candidaturas, que envolveram cerca de 900 empreendedores, e que resultaram na criação de mais de uma centena e meia de empresas inovadoras. "Dadas as características de exigência - todos sabemos que não existem projectos inovadores em grande quantidade - o balanço é excelente no contexto nacional", diz Rita Seabra.

Objectivos e realistas
Implementar uma ideia. É disto que se fala quando o tema são "planos de negócio". O ideal é ver o plano como uma parte essencial de todo um processo de criação de valor. Até o melhor dos planos é desperdiçado caso ninguém o siga e implemente, segundo Rita Seabra.

"Se não funcionar como uma espécie de mapa de estradas para o negócio, então não funciona mesmo." Nesta óptica, deve ser pensado, desde o início, como um documento que traduz a estratégia que quer implementar, a base da vida da sua empresa, nos primeiros tempos. Por isso, não complique. "Um plano de negócios deve ser simples, objectivo, realista e completo. E, mesmo que seja todas estas coisas, só terá valor se alguém o implementar", acrescenta a gestora do FINICIA.

Por último, os planos de negócio dependem sempre dos empreendedores e das suas equipas, sobretudo durante o processo de compromisso, lançamento e implementação do projecto. Nisso, o IAPMEI também ajuda. O seu site disponibiliza um manual de apoio à elaboração de um plano de negócios, uma folha de cálculo em Excel para a sistematização dos números e guiões auto-formativos para as áreas da estratégia e do plano de marketing. Estes documentos ajudam a que tenha uma "abordagem autodidáctica" do empreendedorismo.






João Noéme e três amigos criaram a UAVision, empresa que trabalha nas áreas da aeronáutica, ciências da terra e projectos de engenharia. Este ano vão começar a comercializar uma aeronave, não tripulada.


Projectos que vêm do espaço

Quando João Noéme se reúne a três amigos, depois de terminar a licenciatura em Engenharia Aeroespacial, o resultado não poderia ser outro: contribuir para a inovação.


Dois anos depois de acabar o curso, João Noéme, 31 anos, juntou-se a três amigos da faculdade e deu corpo à ideia UAVision. Colegas do Instituto Superior Técnico, há muito que andavam a projectar empresas. Enquanto estudantes, pertenceram à Junitec - Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico, onde elaboraram vários projectos e participaram em diversos concursos. Já aí, a inovação era a palavra de ordem. "Tentávamos inovar sempre", explica. Terminado o curso, cada um seguiu o seu caminho. Durante dois anos, foram tendo outras profissões.

João Noéme esteve na Agência Espacial Europeia, mas queria voltar para Portugal. Foi aí que a ideia surgiu. "Gostávamos todos de tecnologia e decidimos apostar nos aviões não tripulados (UAV)", diz. Fizeram estudos de mercado e resolveram concorrer ao concurso de ideias FIVE, criado pelo IAPMEI, no âmbito da Bolsa de Ideias e Meios (BIM). Ganharam. Quando decidiram criar a UAVision, em Outubro de 2004, pesquisaram na internet os apoios que existiam. Foi assim que chegaram ao IAPMEI. O prémio de cinco mil euros que adquiriram consistiu na elaboração do plano de negócios, através de uma empresa associada ao IAPMEI, no âmbito da BIM. Depois disso, ainda concorreram ao NEOTEC, da Agência de Inovação, do qual também saíram vencedores.

"O apoio do IAPMEI foi médio. O plano de negócios acabou por ser feito muito depressa.

Não ficou mal, ficou bem, mas poderia ter sido feito com mais cuidado", comenta. Se calhar foi por isso, que, hoje, a empresa é bem diferente do que ficou planeado. Desde que foi lançada, em Abril de 2005, que houve várias alterações ao plano de negócios. "O plano estava optimista, contava só com UAV para a agricultura", explica. Contudo, o que na altura era só uma ameaça, acabou por ser um factor de alteração real: a falta de legislação na área em Portugal.

Devido a esta lacuna legal e também à falta de experiência dos jovens promotores, a UAVision viu-se obrigada a expandir a sua área de negócios. Passaram também a elaborar projectos tecnológicos noutras áreas, efectuados "à medida dos clientes". Hoje, a empresa conta com três áreas de actividade: aeronáutica, ciências da terra e projectos de engenharia.

Até agora, o negócio "corre bem". "2010 é um ano muito importante, porque vamos começar a comercialização de uma aeronave", explica. Entretanto, já se expandiram para Angola e preparam o arranque de uma filial em Torres Vedras, para produção de sensores agrícolas.

João Noéme não sabe como teria corrido a implementação da empresa, caso não tivesse recorrido aos apoios do IAPMEI. Contudo, reconhece que o plano de negócios acabou por não influenciar muito o processo.

"Foi bom para termos uma visão do mercado. Foi por causa da falta de legislação que não conseguimos seguir o plano de negócios. Se o seguisse, não teria tido sucesso".



Para Rita Seabra, a BIM é uma "porta de entrada fácil e permanentemente aberta", o que por si só constitui uma grande ajuda ao empreendedor que, muitas vezes não sabe a quem se dirigir, quando ou de que forma. "A lógica desta entrada é a de eliminação de barreiras. Depois, é também um canal de distribuição", comenta Rita Seabra.

Na verdade, é esta porta que leva a ideia de negócio às entidades que podem ajudar a fortalecê-la, como as plataformas FINICIA, serviços de apoio locais, parceiros interessados, potenciais financiadores, acesso facilitado quer à Empreenda (Feira de Ideias e de Financiamento do IAPMEI), quer a outros certames nacionais e internacionais. "Isto permite-lhes uma visibilidade acrescida, útil a quem quer lançar um negócio e ainda se encontra em fase de alinhar parcerias", acrescenta.

As candidaturas seleccionadas beneficiam de apoio técnico qualificado durante a preparação, implantação e consolidação da empresa. Também têm acesso facilitado a fontes de financiamento, serviços de infra-estruturas tecnológicas e de acolhimento e a programas específicos. Só falta você ter uma ideia.




Não esqueça



Cinco dicas para que a sua ideia seja uma das seleccionadas.

1. Actividade certa
São elegíveis os projectos para a generalidade dos sectores, cuja sede se localiza em território nacional.
2. Mais competitividade
As ideias deverão ser inovadoras, exequíveis e apresentar vantagens competitivas.
3. Factores de inovação
Devem poder dar origem ao aparecimento de um novo produto ou serviço, de um novo processo produtivo ou mercado, entre outros.
4. Ideias originais
Os proponentes devem ser responsáveis pela originalidade das ideias.
5. Estratégia
As candidaturas devem ser suportadas por um "parceiro estratégico". Para aquelas que não o apresentem, o IAPMEI propõe um consultor para a elaboração dos planos de negócio.




Aprender a planear



Para que o seu plano de negócio tenha sucesso, deve responder afirmativamente a estas questões.

1. O plano transmite os seus conteúdos de forma fácil e prática?
2. É de fácil entendimento e execução?
3. Os seus objectivos são concretos e mensuráveis?
4. Inclui um modelo financeiro sólidoe bem fundamentado?
5. O plano é realista e inclui todos os elementos necessários?



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