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Uma massagem na motivação

Quem trabalha na Global Fire Equipment (GFE), em Faro, tem direito a massagens na hora de almoço, transporte da casa e outras regalias. E porquê? Porque "a empresa nada mais é que ideias e as pessoas são quem as torna realidade". Quem o diz é João...

26 de Novembro de 2009 às 16:04

Massagens na sala de reuniões e carrinha de transporte da empresa são algumas das regalias para motivar os trabalhadores

Massagens na sala de reuniões e carrinha de transporte da empresa são algumas das regalias para motivar os trabalhadores

Quem trabalha na Global Fire Equipment (GFE), em Faro, tem direito a massagens na hora de almoço, transporte da casa e outras regalias. E porquê? Porque "a empresa nada mais é que ideias e as pessoas são quem as torna realidade". Quem o diz é João Paulo Ajami, director-geral desta empresa de alarmes de incêndio, que considera a motivação dos trabalhadores uma peça fundamental para o sucesso do negócio.

João Paulo Ajami quer que os seus empregados saiam do trabalho com vontade de voltar no próximo dia e por isso tenta zelar pelo bem-estar dos trabalhadores e por um bom ambiente, pautado pela comunicação interna. A ideia das massagens pode não ser única em Portugal mas também não é comum e aqui entra a experiência do ambiente de trabalho dinamarquês da directora de recursos humanos, esposa de João Paulo.

As massagens são dadas na sala de reuniões da GFE por uma empresa especializada e a regalia é apreciada por muitos que chegam a ir duas vezes por semana. Já a disponibilização das carrinhas de transporte a partir de Faro e Olhão tem mais a ver com a "visão ecológica" que o director-geral da Global Fire diz querer dar à empresa. "Eu próprio estou inscrito numa das carrinhas embora muitas vezes, por razões de horário, me desloque no meu boguinhas eléctrico", revelou João Paulo Ajami.

Perfil

Autodidacta em electrónica e fotografia, João Paulo Ajami começou por vender projectos de equipamento electrónico aos 18 anos. Em 1983 fundou a sua primeira empresa de fabrico de centrais anti-intrusão. Mas foi na Dinamarca que construiu aquele que seria o seu futuro. Em 1994 criou a actual Global Fire Equipment e casou-se com uma dinamarquesa, licenciada em Língua Portuguesa, de quem já tem três filhos. Antes disso colaborou com várias empresas e foi contratado como engenheiro de I&D. Quem o contratou só descobriu que não tinha curso quando lhe quis dar cartões de visita.

Motivação é importante mas não basta. A formação, quase toda "on the job porque em electrónica a formação prática só muito dificilmente se aprende na escola" é outra das apostas deste empresário que conta com um "staff" de engenharia e máquinas adequadas para poder inovar.

O empreendedor que regressou a Portugal pelo bom tempo

João Paulo Ajami criou a IAS DenmarK (actual Global Fire) na Dinamarca em 1994, para continuar a garantir o fornecimento de alarmes de incêndio depois de a empresa inglesa para quem trabalhava ter sido vendida, mas em 2000 decidiu fixar-se em Faro porque a "qualidade de vida que se tem no Algarve é incomparável" e porque "uma empresa de base tecnológica pode trabalhar em qualquer lugar do mundo".

Em Portugal ou na Dinamarca a estratégia desta empresa mantém-se. A internacionalização é uma das apostas fortes e por isso a Global Fire Equipment, um negócio atípico no Algarve, exporta 80% do seu volume de negócios, para mais de 50 países em todo o mundo.

"A vantagem desta diversidade de mercados é protegermo-nos contra as variações nacionais", explicou o director-geral da Global Fire, que prevê para 2009 uma quebra entre os oito e os 10%, depois de em 2008 ter facturado quatro milhões de euros. O objectivo futuro é consolidar o negócio.

Porém, como diz o empreendedor, "Portugal só é uma maravilha para ir para a praia". Quem decide erguer um negócio depara-se co m enormes barreiras burocráticas. Para além de o Governo analisar as empresas da "cabeça aos pés" quando estas decidem exportar, os documentos, as assinaturas e os carimbos exigidos multiplicam-se. Na Dinamarca pagava-se apenas uma taxa na alfândega e preenchia-se um documento único. Outro dos constrangimentos da GFE passa por "desfazer uma imagem de pequenez num mercado dominado por gigantes multinacionais".

Empresa bilingue que aposta no estrangeiro

A Global Fire Equipment (GFE), empresa de equipamentos electrónicos de detecção de incêndios, nasceu no quarto do primeiro filho de João Paulo Ajami, na Dinamarca em Abril de 1994 com o nome IAS Denmark. Em 2000 estabeleceu-se em Faro com o nome International Alarm Supplies, em busca de uma melhor qualidade de vida num clima mais ameno, mas só em 2003 foi baptizada com o actual nome. Dos iniciais dois trabalhadores a empresa de alarmes de incêndio passou para os actuais 40 trabalhadores, tornando-se quase totalmente auto-suficiente em termos de fabrico, não dependendo tanto de sub-contratados. O volume de negócios da GFE passou de 800 mil euros anuais para quatro milhões, em 2008. Para este ano, a empresa deverá registar uma quebra de oito a 10%, em linha com o volume de negócios de 2007. A quebra não foi maior, segundo o director-geral da GFE, devido ao seu cariz exportador, que lhe permitiu equilibrar as quebras de vendas em Portugal com a melhoria do negócio, por exemplo, na Noruega. A empresa exporta 80% do seu volume de negócios para os cinco continentes, incluindo para a Antárctida, para a Central de Pesquisa da Argentina.

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