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Há nova vida para a casca de ovo

Investigadores da Universidade de Aveiro descobriram uma forma de usar cascas de ovo na produção de materiais cerâmicos. Solução tem já uma patente mas, para já, não está a ser usada pela indústria.

09 de Outubro de 2015 às 18:30

Utilizar cascas de ovos para produzir materiais cerâmicos. À primeira vista pode parecer um pouco estranho, mas investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriram uma forma de utilizar as cascas de ovo como substituto parcial da calcite, matéria-prima usada no processo de fabricação de cerâmica. Este método está já patenteado.

José Velho, investigador do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, explica ao Negócios que as cascas de ovo e a calcite têm as mesmas particularidades químicas e, por isso, a casca de ovo consegue substituir a calcite. "É tirar a calcite da pasta [cerâmica] e substituir por casca de ovo. Tiramos uma coisa que é um mineral e que é mais cara e colocamos outra, que é um resíduo", nomeadamente para as empresas de derivados de ovo, refere o investigador.

"Os produtos de cerâmica são feitos à base de pó, a casca de ovo tem de ser lavada e é-lhe retirada toda a parte orgânica que está agarrada à casca. Depois tem de ser moída, tem de ter uma granulometria [tamanho dos grãos] igual à das outras matérias-primas e depois é fazer a mistura", acrescenta.

Ainda assim, a casca de ovo terá de ser um substituto parcial deste mineral. O investigador da UA explica que os resíduos e os minerais têm "sempre características que nunca são iguais". "Verificámos que substituir determinada percentagem acima de um limite [faz com que os produtos comecem] a ter muita porosidade, muita absorção e as características mecânicas começam a falhar. Como há regras muito restritas ao nível da cerâmica e dos materiais, só conseguimos substituir até uma determinada percentagem a casca de ovo."

Como é que surgiu a ideia?

José Velho conta que a ideia para o desenvolvimento desta solução surgiu a um aluno da UA no âmbito da sua tese de mestrado. Após a conclusão deste ciclo de ensino, "investigámos e chegámos à conclusão de que não havia ninguém que tivesse ainda lançado uma patente" relativamente ao uso das cascas de ovo para o fabrico de materiais cerâmicos. O processo foi longo, mas no passado mês de Julho chegou a patente.

Esta solução ainda não está a ser usada pela indústria, de acordo com José Velho. Para já, os investigadores sabem que a casca de ovo pode ser usada na produção de pavimentos porosos, mas não descartam que possa, no futuro, vir a ser parte da composição de outros materiais cerâmicos.

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