Portuguesa Spotlite vai "fiscalizar" mais de cinco mil pontes no Brasil

A dupla portuguesa levantou 3,5 milhões de euros em dezembro do ano passado, que vai usar agora na sua expansão. Contrato de oito milhões de euros, no qual está inserida num consórcio com outras duas empresas, vai levar à monitorização de infraestruturas espalhadas pelo território brasileiro.
A dupla pegou no investimento de dezembro e apostou em outros mercados.
DR
Inês Pinto Miguel 17:00

A "spacetech" portuguesa Spotlite vai monitorizar mais de 5.300 pontes no Brasil com inteligência artificial (IA), inserida num consórcio que ganhou um contrato de oito milhões de euros com o Governo brasileiro. A fiscalização destas infraestruturas será feita com recurso a dados de satélites e IA, podendo ser ainda utilizada para o controlo de redes elétricas, linhas ferroviárias e estradas.

O consórcio, onde estão também a SISCON e a Única, prevê a monitorização de mais de cinco mil infraestruturas espalhadas por todo o território brasileiro. Com estes dados, transmitidos em tempo real, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes vai conseguir acompanhar o estado das infraestruturas em questão e tomar decisões críticas.

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A startup portuguesa, que nasceu em Coimbra, já trabalha com várias entidades em Portugal, tendo, inclusivamente, estado no terreno "durante o comboio de tempestades que assolaram Portugal" no fim de janeiro e início de março. 

“A solução que criámos permite que todos os gestores de infraestruturas críticas possam monitorizar, em tempo real, alterações milimétricas das mesmas”, explica Ricardo Cabral, CEO da empresa, citado em comunicado. “Apesar de já colaborarmos regularmente com diversas entidades em Portugal, na Europa e na América Latina, o serviço torna-se ainda mais relevante diante das frequentes ocorrências climáticas que têm impactado tanto a Europa quanto o Brasil”, sustenta o responsável.

Apesar de já colaborarmos regularmente com diversas entidades em Portugal, na Europa e na América Latina, o serviço torna-se ainda mais relevante diante das frequentes ocorrências climáticas. Ricardo Cabral
CEO e cofundador da Spotlite

Além de identificar problemas graves que estejam a acontecer em tempo real, a plataforma desenhada pela startup portuguesa permite ao Governo brasileiro "antecipar riscos como movimentos de terreno, intrusão de vegetação, deformações estruturais ou riscos de incêndio, reduzindo a necessidade de inspeções físicas e sensores no local e otimizando custos de manutenção através de manutenção preditiva e auditorias remotas".

Ricardo Cabral e Martino Correia criaram uma plataforma que transformam imagens captadas em tempo real em alertas automáticos para os proprietários e gestores das infraestruturas. O objetivo é minimizar os impactos, permitindo uma atuação mais célere.

Este mercado em que a empresa se insere, de soluções de observação da Terra como um serviço, deverá chegar aos 20 mil milhões de euros até 2033, e a Spotlite tem-se destacado, tendo vindo a atrair investimento para acelerar a sua expansão internacional e as capacidades tecnológicas da plataforma.

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No fim do ano passado, a dupla concluiu uma ronda "seed" de 3,5 milhões de euros, coliderada pela Indico Capital Partners e a Explorer Investments, tendo contado ainda com a participação da EDP Ventures e a Portugal Ventures. Este financiamento vai permitir, segundo os empresários, expandir a presença da empresa na Europa, Estados Unidos e pelos restantes países da América do Sul.

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