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Líder de IA da Google diz que alguns investimentos no setor têm contornos de "bolha"

CEO da Google Deepmind considera ainda que os americanos têm uma vantagem tecnológica de seis meses sobre os sistemas de inteligência artificial que estão a ser desenvolvidos na China.

Demis Hassabis, CEO da Google Deepmind
Demis Hassabis, CEO da Google Deepmind Jeff Chiu / Associated Press
20:10

Demis Hassabis é um dos nomes mais consagrados e respeitados no mundo da inteligência artificial (IA). Lidera a divisão de IA da Google, a Deepmind, startup que criou e se tornou famosa por vários feitos na área: desde a vitória, em 2016, do sistema AlphaGo contra o campeão mundial de Go, à criação do sistema Alphafold, que prevê a estrutura tridimensional de uma proteína tendo como ponto de partida apenas a sequência de aminoácidos dessa proteína, valendo-lhe inclusive o Prémio Nobel da Química, em 2024.

O homem que tem liderado o contra-ataque da Google ao ChatGPT, da OpenAI, juntou-se, neste fim de semana, ao coro de vozes que alertam para uma potencial sobrevalorização no mercado da IA. Hassabis fala mesmo numa situação com contornos de "bolha", ainda que num contexto específico e não global, em entrevista ao  (FT).

"Para mim não é uma questão binária, de sim ou não [se existe uma bolha]. A indústria da IA é atualmente muito grande e é multifatorial. Do nosso ponto de vista, estamos a ver níveis de utilização sem precedentes", começa por comentar o britânico. "Simplesmente não há chips suficientes disponíveis", exemplifica.

"Desta perspetiva e tendo em conta que será provavelmente a tecnologia mais transformadora alguma vez inventada, não existe uma bolha", justifica.

Mas é no seguimento desta ideia que Hassabis aponta para uma sobrevalorização parcial do mercado. "Existem partes da indústria que parecem ter contornos de bolha. Por exemplo, as rondas de investimento de vários milhares de milhões de dólares em novas startups que não têm um produto, uma tecnologia, nem nada, parecem-me algo insustentáveis. É possível que haja correções em algumas áreas específicas do mercado".

Hassabis assume depois uma postura mais positiva, sobretudo relacionada com a posição da Google no mercado. "Se a bolha rebentar, ficaremos bem. (...) Temos um negócio excecional ao qual podemos acrescentar funcionalidades de IA e extrair ganhos adicionais de produtividade", disse na entrevista ao FT.

O líder de IA da Google comentou ainda os desenvolvimentos vindos da China. Hassabis considera que os ocidentais tiveram uma reação excessiva face aos modelos anunciados pela chinesa Deepseek, no início de 2024, e que os "laboratórios chineses ainda não mostraram que conseguem inovar além dos modelos de fronteira", nome dado aos modelos de IA mais avançados e que alimentam sistemas como o ChatGPT ou o Google Gemini.

Na perspetiva de Hassabis, as tecnológicas ocidentais têm uma vantagem técnica de "seis meses" sobre as empresas chinesas, que estão mais focadas em "aplicações de curto prazo".

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