Trabalhadores da Meo vão ter aumento salarial de 2,5%, mas querem salvaguarda se inflação disparar

Os oito sindicatos envolvidos nas negociações mostram-se satisfeitos com o acordo alcançado, mas alertam que podem ser necessárias novas discussões caso os aumentos sejam "insuficientes face à escalada dos preços".
Miguel Baltazar
Inês Pinto Miguel 19:15

Os sindicatos dos trabalhadores da Meo chegaram a um acordo com a operadora para garantir novas condições. As oito estruturas sindicais que estiveram envolvidas nas negociações com a Meo conseguiram acrescentar um dia de férias anual, a retoma da discussão do modelo de carreiras e um aumento do vencimento, reservando-se, contudo, a novas negociações salariais caso a inflação aumente com o conflito.

"No acordo salarial para 2026, que prevê um aumento de 2,5% a partir de 1 de julho, os sindicatos reafirmam que a defesa do poder de compra dos trabalhadores é uma prioridade absoluta. Apesar de o Governo prever uma inflação de 2,1% para 2026, sabemos que a realidade económica pode revelar-se bem diferente e que aumentos insuficientes face à escalada dos preços significam perda real de rendimento", lê-se no comunicado conjunto destas estruturas.

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"Num contexto internacional instável, marcado por guerras, tensões e incertezas que podem fazer disparar o custo de vida, os sindicatos exigem um compromisso/mecanismo de salvaguarda que assegurem a reabertura do processo negocial com vista a um aumento salarial extraordinário caso a inflação ultrapasse de forma significativa o valor previsto. Esta é uma reivindicação justa, responsável e necessária para garantir valorização, justiça e estabilidade a quem todos os dias faz avançar a empresa", escrevem, sustentando que "a proposta inicial da empresa estava muito aquém da realidade vivida pelos trabalhadores".

2,5Salário
Os trabalhadores da Meo vão receber um aumento salarial de 2,5% a partir de julho, mas os sindicatos reservaram-se a nova discussão caso a realidade económica se altere e signifique perda de rendimento.

Na mesma missiva, os sindicatos lembram que o aumento no vencimento foi uma proposta que surgiu do lado da empresa, sendo a subida salarial de 2,5% para todos os trabalhadores. Assim, o subsídio de refeição vai também aumentar para os 10,46 euros diários, produzindo efeitos a 1 de julho, enquanto o apoio de pequeno-almoço fica pelos 3,40 euros. E a operadora de telecomunicações garante, também a partir da segunda metade do ano, um salário mínimo de 970 euros para quem estiver ao serviço, sendo que na Madeira já se aplica o de 980 euros e nos Açores de 966 euros, desde janeiro.

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Os trabalhadores da Meo ganham ainda, nestas negociações, "mais um dia de férias sem restrições", num total de 24 dias de férias ao ano, e o dia 31 de dezembro foi considerado, em consagração em ACT, como dispensa genérica.

Para a progressão na carreira, e embora a discussão para o modelo de carreiras seja retomada em maio, a empresa estabeleceu o número de movimentos em 120 para a progressão dentro da empresa, com efeitos produzidos a partir de outubro. Nas mesmas discussões de maio, os sindicatos e a empresa vão abordar ainda a evolução profissional dos trabalhadores, a tabela de remunerações mínimas e a avaliação de desempenho.

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