pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Bruxelas aperta o cerco à cibersegurança e quer forçar saída de fornecedores externos do 5G

Sem nunca referir China ou Huawei, a Comissão Europeia quer regras iguais para todos os Estados-membros, de forma a proteger as infraestruturas críticas. Fatura será pesada para quem mantém fornecedores de países terceiros.

Henna Virkunnen defende mais mercado único na União Europeia
Henna Virkunnen defende mais mercado único na União Europeia Philipp von Ditfurth / picture-alliance / dpa / AP Images
20 de Janeiro de 2026 às 20:27

A Comissão Europeia está preocupada com a cibersegurança e quer tornar obrigatórias as recomendações de 2020, que referem a saída de fornecedores de países terceiros do desenvolvimento das redes 5G. Ainda que nunca refira as palavras China ou Huawei no documento de 270 páginas, a Comissão Europeia quer simplificar as regras e uniformizar o espaço digital do bloco ao retirar a possibilidade de intervenção de países terceiros em infraestruturas consideradas críticas.

Bruxelas pretende resolver a "fragmentação" que se está a fazer sentir no setor das telecomunicações "causada por diferentes abordagens a nível doméstico". A razão? Vários países seguiram as recomendações e expulsaram a chinesa Huawei as redes móveis - ainda que existam alguns vestígios -, enquanto outros optaram por manter tudo como estava, como é o exemplo de Espanha, que mantém a Huawei na infraestrutura.

"A lei de cibersegurança permitirá a eliminação obrigatória dos riscos das redes europeias de telecomunicações móveis em relação a fornecedores de países terceiros de alto risco, com base no trabalho já realizado no âmbito do conjunto de ferramentas de segurança 5G", destaca a instituição europeia.

Mas a Comissão Europeia reconhece que há custos aliados à eliminação dos fornecedores externos das redes móveis, e não são baratos. "Ao longo de cinco anos, a eliminação gradual de equipamentos específicos de alto risco poderá acarretar custos anuais de 3,4 a 4,3 mil milhões de euros para os operadores de redes móveis, enquanto os investimentos em fornecedores fiáveis poderão aumentar até dois mil milhões de euros por ano", lê-se no documento. Ou seja, a eliminação destes fornecedores, que se torna obrigatória caso a revisão da lei passe a efetiva, e o consequente investimento representam uma fatura pesada a quem mantenha, por exemplo, a Huawei na rede.

E a equipa de Ursula von der Leyen está expectante em termos de poupança. "Espera-se que a simplificação e a redução das obrigações de conformidade gerem poupanças de custos até 15,3 mil milhões de euros para as empresas ao longo de cinco anos. Além disso, a melhoria da postura cibernética global e da soberania tecnológica da União e o estímulo à inovação e à competitividade trariam benefícios significativos para o público, as autoridades públicas e as empresas", justifica.

"Ao reduzir a fragmentação do mercado e harmonizar os requisitos regulamentares, as opções preferidas reforçam a igualdade competitiva em toda a União, proporcionando às empresas caminhos mais claros para a conformidade e a inovação", garante o documento.

"As ameaças à cibersegurança não são apenas desafios técnicos. Representam riscos estratégicos para a nossa democracia, economia e modo de vida. Com o novo pacote de cibersegurança, teremos os meios necessários para proteger melhor as nossas cadeias de abastecimento de Tecnologias de Informação e Comunicação críticas, bem como para combater os ciberataques de forma decisiva. Este é um passo importante para garantir a nossa soberania tecnológica europeia e assegurar maior segurança para todos", adianta Henna Virkkunen, vice-presidente para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, citada no comunicado.

A justificação para as mudanças à lei da cibersegurança, que data de 2019, deve-se ao facto dos europeus estarem cada vez mais tempo online. "Desde a pandemia, a transição para o mundo digital tornou-se ainda mais evidente. Passamos a depender da internet para manter contacto com familiares, comprar novos produtos e trabalhar em casa", lê-se num dos documentos, acrescentando que, a par das oportunidades, "a transição também trouxe novas ameaças na forma de ciberataques" que roubam dados e manipulam dispositivos. 

Este novo pacote de cibersegurança, que ainda terá de ir ao Parlamento Europeu e ao Conselho da União Europeia, vem "reforçar ainda mais a resiliência e as capacidades" do bloco europeu em relação às ameaças crescentes. Depois de aprovada, os Estados-membros têm um ano para transpor a diretiva para a legislação local, e adaptar os equipamentos.

Ver comentários
Publicidade
C•Studio