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Cavaco condecorou Zeinal há exactamente cinco meses

Precisamente cinco meses depois de ter condecorado Zeinal Bava, Cavaco Silva questionou "o que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores" da PT?

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 10 de Novembro de 2014 às 20:55
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10 de Junho de 2014.

Zeinal Bava, então presidente da brasileira Oi e da PT Portugal - que detém activos como a Meo -, é condecorado, pelas mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, com a Classe do Mérito Comercial (Grã-Cruz), que se destina a distinguir "quem haja prestado, como empresário ou trabalhador, serviços relevantes no fomento ou na valorização do comércio, do turismo ou dos serviços".

 

10 de Novembro de 2014.

"O que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores desta empresa?" A empresa é a PT. A pergunta vem do Presidente da República, Cavaco Silva, e é feita aos jornalistas que o interpelavam na sua visita ao Alentejo. Não disse nomes. Mas a pergunta, "legítima", segundo disse, poderá ser feita por "todos os portugueses" interessados em saber o que se passou na Portugal Telecom.

 

São cinco meses os que separam estes dois factos. A 26 de Junho, o Expresso Diário noticiou que a PT financiou o Grupo Espírito Santo em praticamente 900 milhões de euros. E, neste momento, Bava já não está nem na Oi nem na PT Portugal. Saiu, diz-se, por pressão dos accionistas brasileiros depois desse investimento ruinoso para a PT SGPS, accionista da operadora brasileira (a companhia nacional perdeu força accionista na empresa que irá sair da fusão).

 

Há cinco meses, Zeinal Bava, em declarações prestadas a 10 de Junho e disponibilizadas no site da operadora, dizia que este prémio era um reconhecimento. "É o reconhecimento do mérito, do trabalho que todos temos feito, agora na PT e na Oi, para apoiar a economia". "Temos negócios em todos os países que falam português e agora com grande aposta no Brasil", continuou. A condecoração foi atribuída pelo Chefe de Estado no dia de Portugal.

 

Agora, a opinião do Presidente da República é que algo mudou. Pelo menos, Cavaco tem dúvidas sobre o que os gestores e accionistas da empresa "andaram a fazer". O Negócios questionou a assessoria de imprensa do Palácio de Belém sobre o que terá levado a esta diferença de posições mas não obteve resposta.

 

De acordo com o site da Presidência, Henrique Granadeiro, que saiu da PT SGPS também pouco depois do escândalo do investimento na Rioforte estalar, foi condecorado em 1979 com o Grã-Cruz da Ordem de Cristo, que visa "distinguir destacados serviços prestados ao País no exercício das funções de soberania". Granadeiro foi chefe da Casa Civil quando Ramalho Eanes era Presidente da República. São inúmeras as ordens estrangeiras que, entre 78 e 80, foram atribuídas ao antigo presidente da PT.

 

 

 

(Notícia corrigida às 07h00 de dia 11 de Novembro: são cinco meses os que separam os dois factos, como estava escrito no artigo mas, por lapso, estava errado no título)

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