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Covid força Europa a combater problemas da Internet na região

A pandemia foi um alerta para consertar a internet na Itália. Agora, Conte tem um plano para impulsionar o investimento através da fusão das duas maiores redes de telefonia fixa do país.

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Bloomberg 17 de Outubro de 2020 às 19:00
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Pouco depois do coronavírus ter forçado o primeiro-ministro Giuseppe Conte a impedir a circulação de pessoas em Itália, o deputado Massimiliano Capitanio recebeu um telefonema curioso no seu gabinete em Roma.

Era um pedido de ajuda de um hospital no epicentro do surto, no norte da Itália. Os seus administradores precisavam de conexões à internet e computadores mais rápidos para lidar com o fluxo de pacientes. Capitanio, que integra o comité parlamentar de telecomunicações, convocou as companhias telefónicas.

Para ele, a pandemia foi um alerta para consertar a internet na Itália. Agora, Conte tem um plano para impulsionar o investimento através da fusão das duas maiores redes de telefonia fixa do país.

"Algumas famílias ainda não possuem computador", disse Capitanio. "O governo foi forçado a intervir e enfrentar esta emergência social."

A infraestrutura de internet na Europa é cheia de contragimentos, que foram expostos nos últimos sete meses com o aumento das internações hospitalares, das atividades de teletrabalho e do comércio eletrónico. Os governantes tentam agora decidir como intervir, depois de prever que a introdução de redes mais rápidas poderia produzir um benefício anual equivalente a 113 mil milhões de euros.

Na Itália, espera-se que o veículo de investimento estatal Cassa Depositi e Prestiti obtenha uma fatia significativa da rede nacional unificada e dê à Telecom Italia (que tinha o monopólio) confiança para acelerar a implementação de conexões de fibra ótica mais rápidas, ao remover a rival Open Fiber.

O plano destrói um princípio do projeto europeu, que defende que mais concorrência leva a melhores serviços. Isso faz parte de um novo padrão de envolvimento com o setor que sugere que a Europa está a diluir os seus princípios antimonopólio em resposta à expansão liderada pelo governo da China e à agenda America First do presidente Donald Trump.

A construção de infraestrutura mais robusta estimularia economias atingidas e o crescimento de novas indústrias. O Reino Unido corre o risco de perder 173 mil milhões de libras esterlinas na próxima década se ficar para trás na tecnologia 5G, de acordo com o Centro de Estudos de Políticas.

"Redes com mais fibra teriam sido melhores numa situação como a da Covid", disse Chris Watson, responsável pela área de tecnologia, media e telecomunicações do escritório de advocacia CMS.

"Questões como a interrupção de conversas no Zoom e Teams são um problema no novo mundo em que estamos a entrar."

No entanto, as empresas de telecomunicação não estão prontas para agir. Assoladas pela baixa rentabilidade e pelo êxodo de investidores, essas companhias lutam para manter até mesmo o ritmo atual de investimentos nas redes. Com isso, as nações do sudeste asiático e os EUA saem na frente em velocidade de banda larga.

Os governos estão a repensar se os consumidores são melhor servidos por um sistema que mantém guerras de preços e limita o retorno sobre o investimento, o que abala os lucros que as empresas precisam ter para investir na melhoria dos serviços.

Em Espanha, a influência crescente do setor ficou evidente no mês passado, quando o governo de Madrid informou a sua intenção de taxar todas as empresas que operam serviços de telecomunicação — diminuindo a vantagem que o WhatsApp, do Facebook, e outros serviços do tipo têm sobre as companhias telefónicas da região. As empresas de telecomunicações de Espanha também têm a ganhar com a "agenda digital" pós-Covid, que inclui 20 mil milhões de euros em apoio estatal para infraestrutura.

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