Primeiro-ministro admite suspender novo sistema de controlo de fronteiras "nas horas críticas"
O primeiro-ministro voltou esta quarta-feira a admitir suspender, pelo menos nas "horas críticas", o novo sistema de controlo de fronteiras nos aeroportos para garantir que a economia portuguesa "não é penalizada".
"Não queremos chegar ao ponto de suspender procedimentos, mas se o tivermos de fazer, mormente em horas críticas, ao abrigo das regras que os nossos compromissos europeus também permitem, nós fá-lo-emos enquanto todo este mecanismo não tiver um funcionamento absolutamente normal", afirmou Luís Montenegro, no debate quinzenal no Parlamento.
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Em resposta ao líder parlamentar do PSD, Montenegro referiu-se também à polémica com a escolha do responsável do SIRESP, que levou à demissão do secretário-geral adjunto da Administração Interna António Pombeiro, mas atirou as responsabilidades pelo mau funcionamento das comunicações de emergência para o passado.
"O foco aqui é corrigir aquilo que não funcionou no passado e poder fazê-lo com um grau de eficiência que seja o mais intenso, o mais robusto, o mais profundo possível", disse, reiterando a disponibilidade já anunciada pelo ministro Luís Neves para dar explicações no Parlamento.
O primeiro-ministro referiu que o Governo se tinha comprometido, e fez, a constituir "uma equipa de trabalho técnica, multissetorial, com a missão de desenvolver um estudo que pudesse abrir uma decisão que desse previsibilidade, sustentabilidade, consistência à resposta deste sistema de comunicações".
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"Nós podemos depois distrair-nos com muitas questões, eu não estou a dizer que elas não possam ter importância e o Governo está completamente disponível para poder ser alvo do escrutínio parlamentar, mas há uma coisa que não devemos perder o foco: o foco aqui é corrigir aquilo que não funcionou no passado", afirmou.
Sobre o novo sistema europeu de controlo de fronteiras que tem agravado os tempos de espera nas fronteiras aéreas, principalmente no aeroporto de Lisboa, o primeiro-ministro também atribuiu responsabilidades pelas dificuldades atuais, tal como tinha feito Hugo Soares, ao anterior Governo PS, incluindo o atual secretário-geral José Luís Carneiro, pela extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
"Nós não estamos satisfeitos com o nível de resposta que o sistema tem dado, nomeadamente quando há picos de chegada de pessoas aos aeroportos portugueses e, em particular, ao aeroporto de Lisboa", afirmou, mas apontando problemas semelhantes em outros aeroportos europeus.
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Montenegro repetiu o anúncio que, no final de junho, entrarão mais de 300 polícias para ajudar nesse processo e assegurou o Governo está a "diligenciar no sentido de ter todo o mecanismo de controlo a garantir que a operação não sai prejudicada por via destas novas regras".
"Quero dizer, com toda a clareza: caso haja necessidade de suspender algum procedimento para garantir que nós temos, por um lado, segurança na entrada de pessoas e, por outro, que a nossa economia não é penalizada, quer do ponto de vista reputacional, quer do ponto de vista concreto, nós não excluímos nada nesta altura", afirmou.
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