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As cabines dos aviões podem estar diferentes na próxima vez que viajar

As companhias aéreas estão a estudar mudanças nas cabines dos aviões, como capas nos encostos da cabeça e barreiras de tecido entre os assentos para evitar a propagação do coronavírus.

Bloomberg 12 de Setembro de 2020 às 20:00
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As companhias aéreas, desesperadas para que os governos suspendam as restrições às viagens e os passageiros regressem, procuram formas de garantir ao público que a sua saúde não será comprometida durante o voo. Assentos e cabines com nova aparência podem ser o início.

Recaro Aircraft Seating, uma das maiores empresas do setor, elaborou uma série de modificações para manter os passageiros separados e protegê-los de infeções.



As companhias aéreas estão a avaliar a possibilidade de instalar o equipamento da Recaro como uma reforma temporária da cabine, de acordo com o CEO Mark Hiller. As empresas precisam de acessórios fáceis de manobrar, leves e que estejam disponíveis no curto prazo, disse.

Há definitivamente um grande interesse de todas as regiões, afirmou Hiller em entrevista.

Com a vacina contra o coronavírus ainda distante, as companhias aéreas precisam de persuadir os passageiros de que é seguro voar, mesmo com a possibilidade de terem alguém infetado ao lado. Surtos esporádicos no mundo todo estão a gerar preocupações: em julho, o tráfego global caiu quase 80% em relação ao ano anterior, uma queda mais forte do que o esperado, disse a Associação Internacional de Transporte Aéreo na semana passada.

Dos aviões que continuam a voar, muitos estão com metade da ocupação. A aeronave deve ter normalmente uma ocupação de 70% a 80% para dar lucro, pelo que as companhias aéreas procuram formas de permitir que os passageiros se sentem lado a lado sem tocar as cabeças, encostar os ombros ou cotovelos.

As companhias aéreas também estão a avaliar de que forma podem aplicar um revestimento desinfetante desenvolvido pela Recaro nos seus assentos, segundo Hiller. A empresa alemã diz que reformulou a substância para repelir vírus, incluindo o que causa a covid-19.

Embora o setor afirme há meses que há poucas hipóteses de se ser infetado num avião porque há filtros de ar de nível hospitalar a bordo, esse argumento caiu por terra após surtos com origem em alguns voos.

Todos os 187 passageiros e seis tripulantes de um voo da TUI com origem no aeroporto grego de Zante com destino a Cardiff, no mês passado, tiveram de ser isolados. Pelo menos 16 casos confirmados foram identificados no voo de 25 de agosto.

A Recaro, que vendeu cerca de 150 mil assentos para aeronaves no ano passado, não está imune à crise que assola a indústria da aviação, apesar da procura potencial pelos seus projetos. Hiller diz que as receitas devem cair quase 60% em 2020.

Mesmo que as companhias aéreas não comprem novos aviões, podem optar por novas cabines mais confortáveis ou adaptadas à Covid, disse.

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