Consórcio sem acesso ao relatório final do júri sobre a Azores acusa que não houve “verdadeira intenção de conclusão”
O único interessado que avançou com proposta para a compra da Azores lamenta não ter sido informado da decisão final e que os trabalhadores estejam a ser impactados.
O consórcio Atlantic Connect Group assume que não teve acesso ao relatório final do júri, que apela à rejeição da sua proposta de compra de 85% da Azores Airlines por 17 milhões de euros. E o grupo de quatro empresários considera que os “trabalhadores e investidores participaram num processo que nunca teve uma verdadeira intenção de conclusão”.
“Ao longo de três anos, o consórcio estruturou uma proposta exigente, ajustada à realidade financeira da companhia, e abriu canais de diálogo com pilotos e tripulantes. Foi discutida a situação de empresa e o seu futuro, com realismo, não foram prometidas soluções fáceis. Os trabalhadores responderam com sentido de responsabilidade, autonomia e maturidade, celebrando acordos de estabilidade laboral”, recorda o consórcio em comunicado, apontando que os sindicatos dos pilotos e pessoal de voo votaram favoravelmente a proposta.
O consórcio atira mesmo que “a estabilidade social e os acordos celebrados com o SPAC e SNPVAC (…) foram simplesmente ignorados pelo júri, não tendo merecido qualquer revê-lo na avaliação da proposta apresentada”.
Ao chumbar a proposta, o grupo de interessados considera que a administração do grupo de aviação açoriano “optou por manter problemas que são estruturais e que antecedem este processo: a não separação dos Serviços Partilhados, apesar das obrigações decorrentes da decisão da Comissão Europeia; o aumento significativo do número de trabalhadores entre 2022 e 2025 sem reforço da frota; e a tentativa de impor ao comprador a assunção definitiva de obrigações que o próprio caderno de encargos previa ajustar num período de transição”.
Assim, o Atlantic Connect Group aponta que a SATA “agravou drasticamente a situação da empresa nos últimos três anos e foi totalmente incapaz de separar as empresas. Ainda hoje existem vários trabalhadores que têm um vínculo laboral com a Azores Airlines, mas que são, na prática, trabalhadores das outras empresas do Grupo Sata”, apelidando a situação como “confusa”.
“Perante este quadro, é legítimo perguntar se todos estavam verdadeiramente comprometidos com o mesmo objetivo. Enquanto o Atlantic Connect Group negociava soluções e assumia responsabilidades à mesa com os trabalhadores, outros cenários começaram a ser preparados nos bastidores e apresentados no espaço público, antecipando o fracasso da privatização - antes mesmo de esta ser formalmente encerrada (o que ainda não sucedeu!)”, atiram no comunicado.
O grupo lamenta ainda que o processo não esteja a ser conduzido com transparência e que os trabalhadores estejam a ser impactados por decisão da SATA e do Governo Regional.
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