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Easyjet vê na privatização da TAP oportunidade para crescer em Lisboa

Operadora de transportes aéreos considera ainda que a Portela deve melhorar operação antes de aumentar a capacidade.

Easyjet vê privatização da TAP como oportunidade para crescer em Lisboa
Easyjet vê privatização da TAP como oportunidade para crescer em Lisboa Soeren Stache/AP
16 de Janeiro de 2026 às 07:57

O diretor-geral da Easyjet Portugal acredita que a privatização da TAP deverá implicar a libertação de 'slots' no aeroporto de Lisboa e afirma que a companhia está pronta para aproveitar essa oportunidade.

Em entrevista à Lusa, José Lopes sublinha que a TAP é atualmente o operador dominante em Lisboa, o que obrigará a Comissão Europeia a impor contrapartidas, tal como faz sempre que há processos de consolidação, os chamados remédios.

"No caso do aeroporto de Lisboa, é um mercado onde a TAP é dominante, é o 'player' [operador] número um, tem perto de metade dos 'slots' [faixas horárias para aterrar e descolar] disponíveis", refere.

Segundo o responsável, qualquer entrada de um novo acionista relevante no capital da TAP levará, como já aconteceu noutros países, à imposição de medidas corretivas por Bruxelas. Esses remédios passam, tipicamente, pela redistribuição de 'slots' nos aeroportos mais congestionados, como é o caso de Lisboa.

"Portanto, uma consolidação com qualquer outro player - e os três 'biders' [interessados] estão identificados publicamente - levará a uma consolidação dessa posição dominante", o que, "por norma levará, tal como aconteceu recentemente no caso da compra da ITA por parte da Lufthansa, a que existam remédios", comentou.

Em causa está o interesse dos três grupos europeus Air France-KLM, IAG e Lufthansa pela compra de até 49,9% da companhia aérea portuguesa, estando 5% do capital reservado para os trabalhadores.

"Haverá certamente mais 'slots' a serem distribuídos. A Easyjet (..) está disponível para aproveitar essa oportunidade que irá surgir", acrescenta, explicando que a companhia vê a privatização como uma oportunidade concreta para crescer num aeroporto onde atualmente não há capacidade disponível.

Portela deve melhorar operação antes de aumentar capacidad

O diretor-geral da Easyjet Portugal considera que qualquer aumento do número de voos em Lisboa deve ser precedido por uma melhoria da qualidade operacional, alertando que a infraestrutura está entre as piores da Europa em termos de atrasos. José Lopes defendeu que o aeroporto Humberto Delgado está a operar no limite há vários anos e precisa, antes de tudo, de ganhar robustez operacional.

"Este aeroporto está nos seus níveis máximos", afirmou, apontando que as obras em curso devem ser usadas prioritariamente para reduzir a irregularidade da operação.

"O aeroporto de Lisboa é um dos piores da Europa" no que toca a atrasos, acrescentou, defendendo que as intervenções devem focar-se em devolver previsibilidade aos passageiros.

O responsável referia-se às obras de expansão em curso, que incluem a recente conclusão de trabalhos no Terminal 2 e uma posterior fase de expansão destinada a elevar a capacidade dos atuais 38 movimentos por hora para um máximo de 45 movimentos por hora até 2028.

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