Ex-CEO da TAP diz ter sido usada como "escudo" político. "É a altura certa para regressar aos factos"
Christine Ourmières-Widener aponta para escutas da operação influencer para sustentar que o seu despedimento teve motivações políticas. A gestora mostra-se disponível para chegar a um acordo com a TAP sobre o seu despedimento e garante que executou plano que lhe foi pedido.
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A ex-presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener, considera que foi usada como "escudo político", referindo-se à sua demissão, que a empresária tem contestado em tribunal, numa altura em que o Governo de então, liderado por António Costa, tentava gerir o caso da indemnização de 500 mil euros a Alexandra Reis.
"Essas escutas [operação Influencer] não foram propriamente grandes manchetes, mas voltaram a provar que eu fui usada como escudo político – ou escudo humano, se quiser – porque nada disto [demissão da liderança da TAP] teve que ver com a minha competência enquanto CEO de uma companhia aérea. Foi o Governo a usar-me como escudo político num momento difícil para o Governo", disse a francesa em entrevista ao Observador.
"Não se tratou da nossa performance ou da confiança na nossa capacidade de executar. Tratou-se de uma situação política que levou o Governo a tomar a decisão que tomou", acrescentou a ex-CEO da TAP sobre a sua saída.
Nas tais escutadas, noticiadas pela CNN Portugal, o primeiro-ministro da altura, António Costa, ligou às 18:12 horas para o ministro das Infraestrutura, João Galamba, que estava sob escuta na operação Influencer. "Se isto [caso Alexandra Reis] se torna num inferno é ela ou nós", referiu Costa, numa alusão à CEO da TAP.
A executiva francesa, atualmente na empresa ZeroAvia, de sistemas de propulsão a hidrogénio, que tem um processo em curso por considerar que o despedimento foi ilegal, sinalizou na mesma entrevista abertura para chegar a um acordo com a companhia aérea. "Encontrar um acordo e deixar as pessoas seguir em frente seria, para mim, a melhor conclusão para todos", atirou a responsável. Sobre o porquê então de ainda não haver um acordo, Christine Ourmières-Widener disse que "cabe à TAP clarificar a sua posição".
A gestora reconhece que o seu mandato "foi muito duro" porque não tinha margem de manobra, mas entregou a reestruturação que lhe tinha sido pedida. "Nunca houve qualquer dúvida de que estávamos a fazer o trabalho e a cumprir o que o Governo nos tinha pedido".
E sobre o porquê de ter, três anos depois, decidido voltar ao caso TAP, Christine Ourmières-Widener foi clara: "É a altura certa para regressar aos factos".