pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Montenegro elogia crescimento do aeroporto do Porto, mas lembra que país tem de acompanhar

A infraestrutura aeroportuária do Porto celebra 80 anos, com o primeiro-ministro a elogiar a "visão das gentes do Norte". Mas foi um país a várias velocidades que escolheu evidenciar, lembrando que os investimentos têm de ser acompanhados nas infraestruturas. Montenegro pediu à Vinci para colocar o pé no acelerador.

12:50

O primeiro-ministro recuou 80 anos e elogiou a coragem "e visão das gentes do Norte" na construção da infraestrutura que hoje é o aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, mas destacou que os investimentos têm de ser realizados em todas as infraestruturas, para que o país não ande a várias velocidades. Luís Montenegro lembrou ainda a TAP, sob o olhar atento do "chairman" Carlos Oliveira, admitindo que "o Estado não vai abdicar" da posição da TAP nas estruturas nacionais após a privatização, e lembrou à gestora aeroportuária Vinci que pode fazer melhor.

"A construção do aeroporto Francisco Sá Carneiro foi, à época, o espelho da combatividade e visão das gentes do Norte, da capacidade de se juntarem e cooperarem e só dessa forma poderiam projetar uma mais-valia tão grande quanto aquela que nos trouxe até aqui", destacou o primeiro-ministro na entrada da infraestrutura aeroportuária do Norte do país, na celebração dos 80 anos de atividade.

Montenegro apontou ainda o "espírito de colaboração" na escolha da localização deste aeroporto. "Percebeu-se que se tratava de uma ambição coletiva e que se repercutia em toda a região. Preponderou o interesse coletivo para benefício de todos", evidenciando que o aeroporto recebeu, em 2025, 17 milhões de passageiros e tem perspetivas de movimentar 30 milhões nos próximos anos.

"Investir neste aeroporto não é um risco, é a oportunidade. É a forma de sermos mais competitivos, mais atrativos e de criarmos mais riqueza e darmos expressão a essa riqueza", sublinhou o primeiro-ministro, lembrando a indústria que se movimenta na região e que precisa desta estrutura para se movimentar para o mundo.

Investir neste aeroporto não é um risco, é a oportunidade. É a forma de sermos mais competitivos, mais atrativos e de criarmos mais riqueza e darmos expressão a essa riqueza. Luís Montenegro
Primeiro-ministro

Assumindo que o aeroporto Sá Carneiro é a "estrutura angular no desenvolvimento da região", estando previsto receber um "investimento de 50 milhões de euros para reforçar a pista e um novo 'hub' de manutenção [da TAP]", Luís Montenegro sustentou que estes são "investimentos que se vão traduzir em maior rentabilidade" e vão permitir desenvolver "atividades conexas", dando como exemplo a construção da Lufthansa Tecnik nos arredores. 

Sobre o futuro da operação no Porto, o primeiro-ministro sublinhou a importância de ter "maior oferta" para vários destinos e na operação diária, sendo este um exemplo do que o Governo quer ver em espelho nas outras infraestruturas aeroportuárias, principalmente quando está a decorrer o processo de privatização de parte do capital da companhia aérea de bandeira portuguesa. "A integração deste investimento naquilo que estamos a fazer no país. E o que estamos a fazer? Temos um processo de privatização, onde a exigência e garantia de aproveitamente de toda a nossa capacidade aeroportuária é uma pedra fundamental", elancou. 

E Montenegro deixa mesmo um aviso: "Não haverá privatização se não garantirmos que os nossos aeroportos terão a potencialidade, ao nível da companhia, que merecem e que se exigem à luz do interesse estratégico do país. Isso ficou claro desde o início. A aposta no 'hub' em Lisboa e a aposta nos aeroportos Sá Carneiro, de Faro e das Regiões Autónomas. Isso é uma exigência que o Estado português não vai abdicar". 

Aviso à Vinci: "É possível fazer mais e mais depressa"

Um dos temas que Luís Montenegro puxou para a discussão foi a construção do novo aeroporto de Lisboa, que foi nomeado de Luís de Camões. Por isso, aproveitou os últimos minutos do seu discurso para deixar um aviso à Vinci, que, apontou, tem a operação mais rentável em Portugal.

"Queremos um aeroporto construído com a maior rapidez possível, construído com o espaço e custo que já pré-determinámos e que seja acompanhado desse investimento em todos os aeroportos, incluído o de Sá Carneiro", apontou o governante.

"A Vinci tem, em Portugal, a sua operação mais rentável no mundo. Não há rentabilidade maior do que aquela que a Vinci tem em Portugal", com Luís Montenegro a avisar que deve existir "lealdade para que o investimento corresponda a essa rentabilidade".

"Tenho a dizer, olhos nos olhos, que é possível fazer mais. É possível fazer mais e mais depressa. No Porto, em Lisboa, em Faro e também nas Regiões Autónomas. Temos vários testes em cima da mesa e quero lembrar que, com todos os instrumentos que ligam Portugal à Vinci, temos prazos e custos a cumprir e não vamos abdicar disso e não vamos deixar de utilizar todas as disposições do nosso contrato para ter esse planeamento e execução feita de acordo com o interesse do Estado português, do povo português e dos agentes económicos, que queremos salvaguardar para que continuem a investir no país", alertou Montenegro. 

Tenho a dizer, olhos nos olhos, que é possível fazer mais. É possível fazer mais e mais depressa. No Porto, em Lisboa, em Faro e também nas Regiões Autónomas. Luís Montenegro
Primeiro-ministro

Mas o primeiro-ministro quer mais, estruturando todo o país a uma só velocidade. "Precisamos de fazer à escala nacional aquilo que os portuenses e nortenhos fizeram à escala regional: cooperar, coordenar, decidir, executar. Queremos construir o novo aeroporto de Lisboa e valorizar o Sá Carneiro, Faro e ilhas. Mas temos de o fazer em simultâneo e de forma articulada. Se o fizermos como um todo, todas as regiões vão ganhar", lembrando que se apenas "uma ou duas" ganharem dimensão, em contraste com o resto do país, "vamos prejudicar o objetivo global". "Estamos aqui para exigir e executar um investimento global em todas as infraestruturas".

Ver comentários
Publicidade
C•Studio