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Governo abre mercado dos comboios urbanos até ao fim de junho

A decisão para a primeira subconcessão a privados de serviços ferroviários urbanos será tomada no primeiro semestre. CP tem agora 90 dias para apresentar proposta e o Governo acredita que na segunda metade do ano já pode estar a falar do lançamento dos concursos.

Pela linha de Cascais passaram 38 milhões de passageiros em 2024.
Pela linha de Cascais passaram 38 milhões de passageiros em 2024.
22 de Janeiro de 2026 às 15:42

O Governo vai decidir no primeiro semestre deste ano a primeira subconcessão de serviços ferroviários urbanos, depois da CP já ter entregue a primeira fase do estudo das subconcessões, refere o plano Mobilidade 2.0, aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros.

"O Governo hoje mandatou a CP para apresentar uma proposta com modelos concretos de subconcessão nos próximos 90 dias", disse Miguel Pinto Luz na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros. 

O ministro das Infraetsruturas disse que "o Governo hoje debruçou-se sobre o estudo preliminar que a CP colocou para análise, com a análise económico-financeira dos vários troços, vantagens, desvantagens, os vários modelos, e saiu deste Conselho de Ministros este mandato à CP para em quatro troços específicos apresentar soluções concretas, jurídicas, económico-financeiras, temporais, para modelos de subconcessão para estas quatro rotas", por exemplo se incluem ou não o material circulante, explicou.

As rotas urbanas em causa são de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Porto, que no total somam 355 quilómetros de extensão e 166 milhões de passageiros.

De acordo com os dados do Executivo, no caso da linha de Cascais, que tem 25 quilómetros de extensão, totalizou 38 milhões de passageiros em 2024  - um número que representa uma subida de 55% face a 2015 –, conta com uma taxa de ocupação média de 50% e rendimentos de tráfego de 31 milhões de euros.

Já a linha Sintra/Azambuja tem uma extensão de 85 quilómetros, 99 milhões de passageiros transportados (mais 104% do que em 2015), uma taxa de ocupação de 36% e rendimentos de tráfego de 76 milhões de euros.

No caso dos serviços urbanos do Sado, um eixo com uma extensão de 34 quilómetros, conta hoje com 5 milhões de passageiros (mais 76% do que em 2015), tem 28% de taxa de ocupação e 4 milhões de euros de receitas de tráfego.

No Porto, a extensão totaliza os 211 quilómetros, servindo 24 milhões de passageiros (mais 19% do que em 2015), com 27% de taxa de ocupação e 34 milhões de euros de rendimentos de tráfego.

"As subconcessões pretendem tentar atrair os privados para gerir melhor e mais próximo, sempre  sob a chancela e o chapéu da CP", disse, assegurando que "a CP será a entidade que vai gerir todas as subconcessões". "Só duas rotas dentro destas em análise têm EBITDA positivo, Azambuja e Cascais", frisou ainda.

"A CP fez um estudo preliminar e apontou quatro rotas, em que há viabilidade, há vontade do mercado aderir, há vantagens para a própria CP", sublinhou ainda Pinto Luz, acrescentando acreditar que "no segundo semestre deste ano já podemos estar a falar das soluções finais e no lançamento dos concursos".

Em setembro, no Parlamento, o ministro das Infraestruturas garantiu que a CP não vai ser privatizada, mas disse que o Governo queria avançar com subconcessões do serviço, “para o sistema funcionar melhor”, através das quais a CP cede temporariamente a exploração de parte dos seus serviços de transporte ferroviário de passageiros a uma empresa privada, mediante concurso.

Já no Programa do Governo era referido o "lançamento de concursos para concessão de linhas ferroviárias específicas e aceleração da abertura à concorrência nas linhas que permitam a operação simultânea de vários operadores".

De acordo com o plano Mobilidade 2.0, a operadora pública vai também ver ser prorrogado o atual contrato de serviço público até 2034. O contrato de serviço público entre o Governo e a CP foi assinado em 2019, estabelecendo um conjunto de obrigações para o período de 2020 a 2030, tendo deixado em aberto a possibilidade da sua renovação até 2035.

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