Guerra ameaça "indústria da paz". Degradação de 'hubs' do Dubai e Doha preocupa

António Ramalho alerta para a perturbação de 'hubs' da aviação mundial. Portugal não está imune a efeitos internacionais, mas beneficia de um turismo predominantemente europeu.
Guerra ameaça "indústria da paz". Degradação de 'hubs' do Dubai e Doha preocupa
Inês Santinhos Gonçalves 13:56

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão pode pôr em causa a recuperação que o setor do turismo tem vindo a registar desde a pandemia. O alerta é do gestor António Ramalho, que lembra a importância que a atividade tem para a economia global, já que representa 10% do PIB mundial. "Uma guerra com as características que esta tem pode afetar, numa primeira fase, aquilo que era esta recuperação continuada", diz, em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.

O presidente da comissão executiva da FCE (antiga FIL), organizadora de eventos de turismo como a BTL, considera que há dois grandes motivos de preocupação. Um é a "degradação de dois 'hubs' fundamentais, quer dos Emirados, no Dubai, quer no Qatar, Doha, que são particularmente importantes para o turismo de longa distância", diz, depois de se terem registado explosões no Dubai, na zona de hotéis de luxo, deixando pelo menos quatro pessoas feridas. O segundo aspeto é "algumas consequências adicionais que possam vir a acontecer em função de alguns riscos de atentado, que já se notam em alguns dos alertas feitos por alguns países da Europa e do mundo ocidental".

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Portugal não passará ao lado desta crise - "a ideia de que estamos imunes a efeitos internacionais é um absurdo" -, mas poderá ser mais poupado devido à menor exposição ao turismo intercontinental. "Somos um país que tem sobretudo origem ou nos mercados internos, ou nos mercados próximos, que são os mercados europeus, ou no mercado atlântico", explica. Esta perturbação o turismo internacional surge numa altura em que o turismo do centro de Portugal se mostra também fragilizado após várias tempestades que causaram pesados danos. 

António Ramalho lembra que "o turismo é a indústria da paz por definição", e que, nesse sentido, "quanto mais a indústria do turismo cresce, melhor sinal é para a paz no mundo". "Portanto, esperemos que consiga resistir até por todos os outros motivos", comenta.

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