"Será que é assim?" Governador do Banco de Portugal questiona crise na restauração
Depois de a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) ter reclamado "medidas urgentes de apoio", incluindo um reforço da componente a fundo perdido das ajudas anunciadas, em janeiro pelo Governo, que ainda estão na gaveta, o governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, diz que os números não atestam a existência de uma crise na restauração.
"Nos últimos meses têm-se falado muito de uma eventual crise no setor da restauração, com os representantes do setor a pedirem ajudas públicas e descidas de impostos. Será assim?", questiona, num extenso "post" na rede social Linkedin.
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Na publicação, Álvaro Santos Pereira "puxa" dos números, que faz acompanhar por gráficos, que mostram que "nos últimos anos, o setor da restauração cresceu bastante, graças à expansão do turismo e aumento do consumo". "Desde 2019, a restauração cresceu 69% em termos nominais e 25% em termos reais", escreve.
"Esta tendência de crescimento continuou em 2025, embora de forma mais moderada", sinaliza, para contrapor, de seguida, que, em 2025, o volume de negócios na restauração aumentou 2,9% em termos nominais, face a 2024".
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No entanto, "os preços cresceram 6%, o que levou a uma queda do volume de negócios em termos reais, principalmente no último trimestre de 2025. Ainda assim, os gastos (de portugueses e estrangeiros) em restaurantes aumentaram 2,7%, em termos reais", apontando, fazendo referência aos dados de um dos cinco "slides" que acompanham a publicação.
Um outro foca-se no emprego que, como reconhece o governador do BdP, "tem crescido a um ritmo menor nos últimos anos e desacelerou em 2025", embora, em termos acumulados desde 2019, o setor da restauração tenha registado "um aumento dos trabalhadores por conta de outrem de 22%".
Já os salários por trabalhador mantêm o dinamismo, crescendo em torno de 6% em 2025, e encontrando-se 39% acima do valor de 2019, complementa.
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Mas "será que os eventuais problemas do setor se refletem nas falências de restaurantes?": "Se atentarmos para a evolução da criação e destruição de empresas no setor do alojamento e restauração (dados da Informa D&B), verificamos que em 2025 se criaram 4991 empresas enquanto que as saídas (falências) foram somente 1307" e "se utilizarmos os dados do e-fatura para o setor da restauração, verificamos que, mesmo assim, houve uma criação líquida de empresas na restauração em 2025, embora menor".
"E quanto às margens e resultados? Será que são as margens nos indiciam a propagada crise?". Uma pergunta que, como as demais, não deixa que fique retórica: "As margens no setor da restauração têm permanecido relativamente estáveis nos últimos anos e em valores próximos dos observados no período pré-pandemia".
Na publicação, Álvaro Santos Pereira toca ainda no rácio de crédito vencido no setor do alojamento (0,4%) e na restauração (2,1%), apontando que "manteve-se em níveis historicamente baixo".
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Assim, "por outras outras palavras, em relação à crise na restauração, os números são de tal forma evidentes que falam por si".
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