Vistos "gold" via cultura disparam quase 300% e captam 46,8 milhões em 2025
Investimento mais do que quadruplica num ano e atinge máximo histórico desde 2020. Procura intensifica-se após fim da via imobiliária, com norte-americanos e chineses a liderarem a procura.
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As transferências de capital para projetos culturais com vista à obtenção de vistos "gold" atingiram 46,8 milhões de euros em 2025, um aumento de 298% face aos 11,7 milhões registados no ano anterior, escreve o Diário de Notícias, esta terça-feira, citando dados do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto. Trata-se do valor anual mais elevado desde a criação deste mecanismo, em 2020, que permite obter autorização de residência para atividade de investimento (ARI) através de contribuições mínimas de 250 mil euros para o setor cultural. No total, o instrumento já captou 66,4 milhões de euros.
No ano passado foram emitidas 211 declarações comprovativas destas transferências — mais do quadruplo das 50 registadas em 2024 — evidenciando o reforço da procura por esta via alternativa ao investimento imobiliário, entretanto eliminado. Desde 2020, os cidadãos norte-americanos lideram a utilização deste mecanismo, com 120 vistos "gold" atribuídos, seguidos dos chineses (70) e indianos (30), de acordo com a mesma fonte oficial.
Entre os projetos com maior captação de investimento em 2025 destacam-se a criação do Museu do Brinquedo no Caramulo (8,2 milhões de euros), o palacete da Fundação Alentejo, em Estremoz (4,2 milhões), e a intervenção no Palácio Azurara, da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (cerca de quatro milhões). O Ministério da Cultura sublinha que a evolução do número de declarações e do montante investido demonstra o “impacto crescente” deste instrumento no financiamento do setor cultural.