Análises Deco Os 5 mitos do investimento imobiliário

Os 5 mitos do investimento imobiliário

É seguro? Será que vai render algum dinheiro? É um valor que deixo aos meus filhos? As perguntas são muitas e as certezas são poucas quanto às vantagens de investir em imóveis.
Os 5 mitos do investimento imobiliário
Deco Proteste 18 de outubro de 2017 às 10:22
1. "Qualquer um pode ser senhorio"

Comprar e fazer um bom investimento não é tão fácil como parece e depende de inúmeros fatores. Investir em tijolos não é para a carteira de todos. O capital é a primeira barreira. Se não o tiver, não peça um crédito hipotecário para investir em imobiliário. Já basta a sua casa de família...

Precisa também de ter conhecimentos para ter a "certeza" de que o imóvel que está a comprar tem a localização certa. Quer seja para arrendar, quer seja para vender, a partir do momento em que o imóvel for seu, passa a ter custos fixos: eletricidade, água, gás, IMI, que podem fazer pender a balança para o lado da despesa.

Além do mais, pode ser um investimento com muito pouca liquidez. Não se esqueça de que vender um imóvel pode em alguns casos demorar meses e isso implica não dispor do capital durante um largo período de tempo. Qualquer que seja o objetivo, vender ou arrendar, vai necessitar de dedicação, alguma experiência de venda e sorte. Nos dias de hoje, diz-se que tudo se vende e arrenda, mas nem sempre é assim. Em pouco tempo, a procura por imóveis na zona onde fez o investimento pode descer e, com isso, a sua probabilidade de retorno também desce.

Invista sem ser com sentido oportunístico. Planeie o seu investimento numa perspetiva de médio prazo e com vários cenários. Verifique se o preço de compra é correto e o retorno que pode obter se optar pelo arrendamento. Use o nosso simulador "Arrendar é Rentável". Clique em 'imobiliário' no nosso site, www.deco.proteste.pt/investe.

2. "É um investimento seguro"

Investimento seguro? De seguro só mesmo a construção e mesmo essa precisa de manutenção. Várias vezes se ouve falar da carteira de imóveis insolventes que os bancos têm. Veja também o exemplo dos inúmeros bancos que sofreram, de forma direta ou indireta, com a crise, que começou no imobiliário em 2008, e que levou a uma onda de falências, vendas (totais ou parciais) e intervenções no sistema financeiro global. Lehman Brothers, Merril Lynch e AIG nos Estados Unidos, Lloyds, Northern Rock e Royal Bank of Scotland no Reino Unido, Fortis na Bélgica, UBS e Credit Suisse na Suíça, ING na Holanda e Bankia em Espanha são alguns nomes. Quer outro exemplo?

Comprar uma casa durante o ano de 2008 implicaria ficar com o capital investido retido para não perder dinheiro, mas perderia também o momento para investir noutro tipo de ativos. Por outro lado, apenas hoje estaria a chegar aos mesmos valores do investimento, não contabilizando os custos que entretanto teve ao longo destes quase 10 anos. A acrescer, o valor monetário que investiu nessa altura já não é o mesmo. Chama-se a isso inflação.

3. "É o investimento mais rentável"

A primeira pergunta que deve fazer é se a rentabilidade que retira do investimento direto num imóvel compensa em relação a outros investimentos com o mesmo grau de risco, como fundos de ações imobiliários ou Exchange Traded Funds (ETF).

Se comprar, vai ter de lidar com os encargos típicos: seguros, impostos como o IMT e o IMI, pagamento de serviços, manutenção e até o da mediação, caso necessite de ajuda ou não tenha tempo para se dedicar à venda ou ao arrendamento. Numa perspetiva de médio prazo, ficaria certamente mais descansado se investisse através deste tipo de fundos. A título de exemplo, o ETF Lyxor EPRA/NAREIT Global Developed teve uma rentabilidade anualizada nos últimos cinco anos de 12,32%. Pode consultar no nosso site soluções alternativas para investir no imobiliário. No nosso site, clique em "seletor de fundos".

4. "Um imóvel nunca desvaloriza"

Não se esqueça de que nenhum de nós tem uma bola de cristal e são vários os fatores que influenciam a variação de preços nos imóveis: taxas de juro, o crescimento da economia, o emprego e o ritmo de construção. O preço no imobiliário tem um comportamento cíclico, e é verdade que os preços dos imóveis estão a atingir máximos. Por isso, poderá não ser o melhor momento para comprar casa enquanto investimento. Mas saber se vai haver nova bolha imobiliária e quando é que vai rebentar é impossível prever. Por exemplo, em Portugal o valor médio de avaliação bancária (o valor das casas estabelecido pelos bancos) subiu 5,6% no último ano. E os indicadores continuam favoráveis para uma subida generalizada dos preços, apesar de alguns ajustes no mercado imobiliário que serve de referência a nível mundial, o americano. Acompanhe as nossas análises no site.

5. "É a melhor herança que posso deixar"

Adquirir imobiliário para os seus descendentes ou familiares pode não ser a melhor solução para eles. Para além da pouca liquidez que um imóvel pode ter, são várias as incertezas no domínio da fiscalidade, nomeadamente no valor dos impostos a médio prazo. Exemplo: o antigo imposto sucessório, que foi substituído pelo atual imposto de selo sobre a herança que é necessário pagar, exceto se for herdeiro legitimário (ascendente ou descendente). Imagine que deixa um imóvel de 200 mil euros de valor patrimonial a alguém que não seja herdeiro direto. Sobre o valor patrimonial vai incidir uma taxa de 10%, ou seja 20 mil euros. Quanto ao imposto sucessório, depois de extinto em 2003 vai-se falando na sua possível "reintrodução", de forma a que também os herdeiros diretos paguem alguma coisa. O último rumor anunciava uma taxa de 28% para patrimónios superiores a 1 milhão de euros. Ou seja, 280 mil euros. São variáveis que criam alguma insegurança, para si e para os seus herdeiros, numa decisão de investimento que se pretende de longo prazo.


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.




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