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Sem mãos, sem pés, sem PIN

Os cartões bancários já podem ser usados em pagamentos apenas por aproximação ao terminal, sem precisar de marcar o PIN. Conheça as vantagens e os riscos do fim da instrução "verde-código-verde".

Deco Proteste 18 de Julho de 2017 às 10:03
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É muito provável que o seu cartão bancário já apresente o símbolo que pode ver ao lado. E é ainda mais provável que não tenha reparado nele ou, se lhe tiver pousado a vista, tenha pensado que é apenas um apontamento de design do seu banco. Nada disso. Através desta tecnologia, pode efetuar pagamentos com o simples gesto de aproximar o cartão de um terminal que tenha o mesmo símbolo, sem marcar código. E pode ir à sua vida.

Mas, em Portugal, muitos consumidores recebem esta funcionalidade e desconhecem-na. Seja por distração - não leem a cartinha que o banco lhes endereça com informação sobre o cartão novo que estão a receber -, seja porque o gestor de conta não os avisa de que lhes estão a dar um cartão com capacidade contactless, a verdade é que podem ter nas mãos um produto que não escolheram.

Rápido e indolor

O cartão tem a vantagem de tornar a compra mais rápida. Em regra, é possível fazer pagamentos sem PIN até aos 60 euros diários acumulados. A partir desse ponto, passa a ser necessário marcar o código do cartão. A tecnologia dá-lhe alguma margem de segurança em caso de roubo. Neste caso, deve participar logo o extravio ao banco. Tal como já se passava antes, 150 euros é a responsabilidade máxima que lhe cabe antes de comunicar o desaparecimento do cartão ao banco.

E depois de fazer essa comunicação do extravio? Lembre-se de que, por lei, se não tiver sido negligente, não pode ser responsabilizado por utilizações indevidas do cartão.

Alguns bancos não lhe permitem optar. Ou seja, se tem o cartão contactless nas mãos, ou o aceita... ou o aceita. 

Convém dizer que instituições como o Banco Popular, o BBVA, o Best Bank e o Banco CTT não lhe garantem opção, ou seja, se não quiser ter um cartão com tecnologia contactless nas mãos, ou o aceita... ou o aceita.

O Abanca, o Banco BiG, o Deutsche Bank, o Atlântico Europa e o Bankinter não oferecem cartões com esta tecnologia.

Atenção aos riscos

Mas há problemas a ter em conta. Algumas apps de telemóvel, gratuitas e simples de descarregar, permitem ler os dados do cartão contactless, exibindo o nome do portador, e o número e os movimentos efetuados nesse dia. Se estiver num transporte público cheio, não é impossível que alguém com um telemóvel que tenha esta app instalada lhe consiga, se estiver muito próximo, sacar os dados do cartão. Recomenda-se prudência, alguma distância - embora seja necessária uma grande proximidade do telemóvel com uma destas apps instaladas - e talvez transportar o cartão numa carteira de alumínio, para melhor o isolar.


O cartão tem a vantagem de tornar a compra mais rápida.


Outras associações de consumidores europeias alertaram, justamente, para os riscos de roubo de dados dos cartões contactless através destas apps. Seja como for, os nossos serviços ainda não receberam qualquer reclamação. Contactámos, ainda, o Gabinete de Cibercrime da Procuradoria-geral da República sobre eventuais denúncias a propósito do uso destes cartões. Mas esta unidade também não tem, até ao momento, exemplos de fraudes relacionadas com a tecnologia contactless.

É preciso não esquecer de que o dinheiro, mesmo em versão eletrónica, exige cuidados...


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Consumidores exigem

Liberdade de escolha

O facto de nos chegar às mãos um novo produto bancário sem que o tenhamos solicitado retira-nos a possibilidade de escolher. É o que se passa com a tecnologia contactless, de que são dotados alguns dos novos cartões (de débito ou de crédito) que recebemos quando o prazo dos antigos expira. Exigimos, por isso, mais informação aos bancos, e a possibilidade de o consumidor optar entre ter esta funcionalidade inserida no cartão ou não. A maioria dos bancos permite a escolha. Mas, atendendo também aos riscos desta tecnologia, pedimos ao Banco de Portugal que impusesse aos bancos a liberdade de opção dos consumidores.  

Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.


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