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Líderes são os últimos a servirem-se

Com base em pesquisa académica, nas áreas da biologia e da antropologia, em conjunto com inúmeros estudos de caso, Simon Sinek aborda as raízes evolucionistas da liderança e contextualiza-as no presente das organizações. A primeira lição: líder que é bom líder sacrifica o seu próprio bem-estar pelo daqueles que estão ao seu cuidado. Ou, por outras palavras, os verdadeiros líderes “comem por último”

21 de Março de 2014 às 13:59

Em Setembro de 2009, num evento TED independente, Simon Sinek explicou, ao longo de 18 minutos, de que forma é que os verdadeiros grandes líderes inspiram os outros a agir. Na altura, a qualidade do vídeo não era das melhores e Sinek chegou a reconhecer que os seus habitualmente excelentes dons de oratória não tinham sido atingidos. Todavia, a sua palestra transformou-se no 2º vídeo mais visto do website que alberga as famosas “TED Talks”, com cerca de 16 milhões de visualizações até à altura em que este artigo está a ser escrito.

Fascinado pelos líderes que realmente criam impacto no mundo, por empresas e políticos que têm capacidades legítimas para inspirar, Sinek, etnógrafo de formação, descobriu, ao longo de vários anos de investigação - e também de experiência, visto ser consultor de empresas tão díspares como a Walt Disney ou a JetBlue Airways – padrões significativos na forma como estes pensam, agem e comunicam. Sinek trabalha igualmente na RAND Corporation, sendo colunista e comentador regular em publicações de prestígio, para além de ensinar comunicação estratégica na Columbia University.

A sua primeira incursão na escrita foi com o livro Start With Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action onde explora a ideia do “Círculo Dourado”, o qual denomina como “um padrão que ocorre naturalmente, enraizado na biologia da tomada de decisão humana e que explica por que motivo somos mais inspirados por algumas pessoas, líderes, causas e organizações em detrimento de outros. No seu livro mais recente, explora os “círculos de segurança”, explicando de que forma é possível – e crucial – melhorar os sentimentos de confiança nas alturas em que é necessário tomar-se uma decisão ousada.

A obra, lançada recentemente, e intitulada Leaders Eat Last , aborda as raízes evolucionistas da liderança e contextualiza-as no presente das organizações. Numa entrevista que concedeu à revista INC, Sinek explica o porquê deste regresso ao passado mais do que distante: “Analisei a era do Paleolítico, nomeadamente a altura em que o homo sapiens se tornou no primeiro primata bípede. Vivia-se, na altura, em populações relativamente pequenas e a única forma que existia para se sobreviver aos inúmeros perigos existentes era o trabalho em conjunto; tudo na vida animal aponta para este trabalho em conjunto. E é isso que os seres humanos fazem, sendo que somos realmente bons a olhar uns pelos outros quando as condições certas estão reunidas”.

Para o autor e tendo em conta que são os líderes que controlam o ambiente, a organização ideal não se define pela contratação de pessoas excelentes. Não concordando com a “classificação” e consequente promoção dos que pertencem aos 10 por cento do topo, abandonando (ou, por outras palavras, despedindo) os 25 por cento que se situam nos degraus mais baixos da escada empresarial – uma ideia que era defendida por Jack Welch quando este liderava a GE – Sinek afirma que este tipo de abordagem não só destrói a organização – pois ninguém se sente seguro - como é contrário a todas as normas biológicas.

Sinek desafia directamente os pseudo-deuses do mundo da gestão e, em particular, o antigo CEO da General Electric. Para os que vão acompanhando as modas do mundo empresarial, é impossível esquecer o que Jack Welch significou, em termos de liderança, nas décadas de 80 e 90, ao longo das quais o seu estilo de gestão foi completamente glorificado, servindo como o exemplo a seguir por várias gerações de líderes, especialmente por aqueles que elegem o curto prazo e um estilo de liderança “à lá celebridade”. O autor demonstra, com detalhes substanciais, que o tempo que Welch passou ao leme de uma das mais reconhecidas empresas do mundo pode não ter sido assim tão inspirador e espectacular como muitos o afirmaram.

Quando se refere aos “círculos de segurança”, o autor recorda que é dever do líder controlá-los mas que, para se ser um bom líder há que pertencer à “nossa” tribo. “Temos de sentir que o líder nos serve a nós e aí, sim, servimo-lo de volta e com prazer”, defende.

Todavia, há uma questão que se impõe: poderemos até compreender que um “círculo de segurança” faça sentido, literalmente, quando analisamos a vida dos nossos ancestrais. Mas como é que o mesmo se aplica às empresas? Simon Sinek é peremptório ao afirmar que nas várias organizações que estudou, as quais parecem desafiar a lógica vigente em épocas de crise, pois não procederam a nenhum despedimento, encontrou um padrão similar: em todas elas, os trabalhadores sentem-se seguros. “Sentem que a pessoa que têm à sua esquerda, bem como à direita, estaria disposta a protegê-las caso algo de mal sucedesse. Todos os dias somos confrontados com perigos, seja na vida pessoal, como empresarial, e quando nos sentimos seguros, coisas extraordinárias começam a acontecer”, acrescenta, na entrevista já citada.

A sua definição antropológica que caracteriza um (bom) líder como alguém que coloca os interesses dos outros à frente dos seus próprios, tem também eco nas pesquisas que realizou sobre as tribos de homo sapiens. “Quando olhamos para os primórdios da humanidade, subjacente ao critério da existência de um alfa – um líder -, está também um compromisso face ao bem-estar do grupo”, garante. Ora, quando nos sentimos seguros no meio dos nossos semelhantes, existe uma predisposição muito maior para redireccionar a nossa energia no sentido de nos protegermos a nós próprios e aos nossos interesses. De acordo com os argumentos de Sinek, passa-se exactamente o mesmo no mundo moderno dos negócios.

Líderes são os últimos a servirem-se

Heróis são aqueles que inspiram um grau elevado de confiança

A popularidade de uma das TED Talks mais partilhadas de sempre reside numa ideia simples e fácil de colocar em acção: ao comunicarmos, de forma clara, os motivos devido aos quais fazemos o que fazemos, somos capazes de atingir a parte do cérebro das pessoas na qual as decisões são efectivamente tomadas. O simples acto de clarificar o PORQUÊ e de o comunicar aos outros possui um impacto significativo no sucesso pessoal, do marketing e da liderança. E foi por causa do resultado do poder desta simples ideia, e da popularidade subsequente do vídeo TED, que Sinek passou os últimos anos a falar com líderes de vários tipos de organizações, incluindo inúmeras empresas, organizações como as Nações Unidas e os serviços militares norte-americanos. O título do seu mais recente livro é, na verdade, inspirado numa conversa que o autor teve como um general pertencente ao corpo de fuzileiros navais [da marinha norte-americana], que lhe disse que “os oficiais comem por último”. Na verdade, os fuzileiros jovens comem sempre em primeiro lugar, enquanto os oficiais seniores aguardam a sua vez no final da fila para a refeição. Ou, como sublinha o autor, “os grandes líderes sacrificam o seu próprio bem-estar pelo bem-estar daqueles que estão ao seu cuidado”.

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