China trava entradas na bolsa de Hong Kong após "boom" de IPO
Pequim está a restringir a realização de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) de empresas chinesas constituídas no estrangeiro em Hong Kong, segundo avança a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com o assunto. A decisão representa uma inversão de estratégia após décadas que impulsionaram milhares de milhões de dólares em vendas de ações.
Embora não exista uma proibição formal, os reguladores têm desencorajado recentemente os pedidos de IPO de empresas chamadas "red-chips", ou seja, entidades registadas fora da China, mas que detêm ativos e negócios no país. A algumas empresas já foi mesmo solicitado, pelo supervisor dos mercados financeiros chinês, que reformulassem a sua estrutura antes de avançarem com a admissão à negociação em Hong Kong.
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Desfazer uma estrutura de "red chip" exigiria a transferência da propriedade das empresas operacionais domésticas de volta para o país, o que poderia gerar custos elevados. A maioria das entidades relacionadas com a China tem de se registar na Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) antes de cotar as suas ações em Hong Kong. Contactada pela Bloomberg, a CSRC não respondeu a um pedido de comentário.
A medida surge numa altura em que os reguladores chineses procuram reforçar e simplificar a supervisão após uma onda de IPO em Hong Kong no último ano. Além disso, as autoridades estarão também preocupadas com os crescentes riscos de fuga de capitais através destas cotadas. Segundo a agência financeira, estas orientações estão a gerar ansiedade entre empresas, bancos de investimento, consultores jurídicos e investidores estrangeiros.
Durante anos, tem sido prática comum as empresas estatais e privadas estabelecerem empresas em jurisdições como as Ilhas Caimão e as Ilhas Virgens Britânicas e injetarem ativos domésticos nestes veículos antes de angariarem fundos em Hong Kong ou nos EUA. A China Mobile e a Cnooc estão entre as principais empresas que seguiram este caminho para os seus IPO em Hong Kong.
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Os reguladores intensificaram a supervisão de IPO e dos mercados financeiros de Hong Kong desde o final do ano passado devido a preocupações com a qualidade das transações. As ofertas públicas iniciais em Hong Kong atingiram o nível mais elevado em quatro anos em 2025 e, no final de janeiro de 2026, havia mais de 400 empresas em processo de abertura de capital, de acordo com dados da Hong Kong Exchanges & Clearing citados pela Bloomberg.
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