Nasdaq atinge novo recorde. Wall Street vira-se para resultados

A Nvidia voltou a atingir máximos históricos e impulsionou o sentimento em relação à IA. A "earnings season" é o próximo foco.
Wall Street fechou em alta.
AP/Richard Drew
Leonor Mateus Ferreira 05 de Outubro de 2026 às 21:37

O Nasdaq registou um fecho recorde na segunda-feira, impulsionado pela Nvidia e pela Microsoft, com os investidores a concentrarem-se na queda dos preços do petróleo e a aguardarem os relatórios de resultados trimestrais. Foi o segundo dia de fortes ganhos nas bolsas dos EUA, depois de dados de emprego mais fracos do que o esperado, divulgados na sexta-feira, terem reduzido as expectativas de um aumento das taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) este mês.

As turbulências políticas na Europa e os receios orçamentais levaram o euro ao seu nível mais baixo desde maio de 2025, reforçando o estatuto do dólar como ativo refúgio. As "yields" das Treasuries norte-americanas a 10 anos atingiram o nível mais elevado desde 2002. A situação tem reforçado o favorecimento das ações.

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"A relativa calma do mercado bolsista no meio da 'tempestade perfeita' no mercado obrigacionista é compreensível, dada a aceleração do crescimento económico e a resiliência do 'boom' da inteligência artificial (IA) às taxas de juro", disse Lisa Shalett, da Morgan Stanley Wealth Management à Bloomberg.

O S&P 500 avançou 0,66% para 7.773,95 pontos, a apenas 0,3% do máximo histórico alcançado em agosto. O Nasdaq ganhou 1,05% para 27.477,31 pontos - batendo o anterior recorde de 22 de setembro -, enquanto o Dow Jones Industrial Average subiu 0,18% para 51.267,90 pontos.

A gigante de IA Nvidia subiu 2,1% e também atingiu um recorde de fecho, elevando o seu valor de mercado para 5,76 biliões de dólares. A Microsoft avançou 1,5%, enquanto a Meta  e a Tesla ganharam cerca de 2% cada.

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As ações da Cerebras Systems dispararam 9% depois de o CEO da OpenAI, Sam Altman, ter afirmado que a empresa é um “parceiro próximo” e que ambas mantêm uma colaboração profunda para expandir os limites de velocidade.

Em sentido contrário, as ações da Intel caíram 2,3% após notícias sobre discussões de uma possível colaboração entre a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. e a iniciativa Terafab, de Elon Musk — projeto a que a fabricante americana de chips aderiu em abril.

Os resultados corporativos sólidos, gastos dos consumidores e investimentos contínuos em IA estão a sustentar o crescimento, segundo indicou a Principal Asset Management à agência. "Há muitos motivos de preocupação para os investidores, mas os resultados corporativos continuam a servir de contrapeso", concorda Mark Hackett, "chief market strategist" da Nationwide. "O que anima é que esta força não é um acaso; estamos a observar uma combinação saudável de crescimento e expansão das margens", acrescentou.

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A época de resultados vai arrancar na próxima semana com as contas do terceiro trimestre da banca. Até lá, os investidores estarão focados nas minutas da reunião de setembro da Fed. Na altura, o banco central liderado por Kevin Warsh aumentou as taxas de juro pela primeira vez desde 2023, para um intervalo entre 3,75% e 4%, sendo que o documento poderá dar pistas sobre se esta foi uma decisão isolada ou o início de um ciclo de subidas.

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