Receios com IA voltam a invadir os mercados e pintam Wall Street de vermelho
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta terça-feira em território negativo, num dia marcado por um ressurgimento das preocupações em torno das sustentabilidade dos investimento em inteligência artificial (IA). Uma nova escalada nos preços da energia, embora levemente travada pela decisão dos Emirados Árabes Unidos de sair da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), também acabou por afastar os investidores dos ativos de risco - levando-os a preferir o refúgio do dólar norte-americano.
O S&P 500 encerrou a negociação com perdas de 0,49% para 7.138,80 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite a ceder 0,90% para 24.663,80 pontos, com ambos a afastarem-se dos máximos históricos atingidos na sessão anterior. Já o industrial Dow Jones caiu em menor magnitude, registando um deslize de 0,05% para 49.141,93 pontos, numa altura em que tem ficado para trás na recuperação das perdas causadas pelo estalar do conflito no Médio Oriente.
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O recuo nas ações tecnológicas acontece depois de o jornal norte-americano Wall Street Journal ter noticiado que a OpenAI - dona do ChatGPT - não conseguiu alcançar os seus objetivos em termos de utilizadores e vendas, alimentando receios de que a empresa poderá encontrar grandes obstáculos no financiamento da expansão da sua infraestrutura ligada ao IA. A dona do ChatGPT ainda tentou afastar esses receios, afirmando que os seus negócios estão a funcionar "a todo o vapor", mas o pessimismo já estava instalado.
A notícia pressionou os títulos da Nvidia e afastou a fabricante de semicondutores dos máximos históricos atingidos na sessão anterior, deslizando 1,63% para 213,07 dólares. Também a Oracle e a CoreWeave - parceiros da OpenAI nos EUA - registaram perdas, com a primeira a ceder 4,05% e a segunda a cair 5,79%.
A atenção dos investidores vira-se agora para os resultados trimestrais das sete magníficas, com quatro grandes tecnológicas a apresentarem contas ao mercado na quarta-feira, após o fecho da sessão. A Apple reporta logo no dia a seguir e, além das habituais métricas de lucros, receitas e previsões para o resto do ano, os investidores vão estar atentos à capacidade destas empresas em transformar os grandes investimento em IA em retornos para os acionistas.
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"A questão mais importante para os investidores é se o comboio da IA vai conseguir continuar a impulsionar o mercado", explica Dennis Follmer, da Montis Financial, à Bloomberg. Apesar de terem arrancado o ano com perdas generalizadas, as sete magníficas têm registado uma grande recuperação nas últimas semanas e foram dos principais catalisadores para o S&P 500 e o Nasdaq Composite atingirem máximos históricos.
Entre as principais movimentações de mercado, a General Motors avançou 1,27%, depois de a fabricante de automóveis ter revisto em alta as suas previsões de lucro para 2026 e ter conseguido registar resultados acima das expectativas dos analistas no primeiro trimestre. O resultado líquido por ação alcançou os 3,7 dólares por ação, acima dos 2,62 dólares projetados pelo mercado. Já a Coca-Cola também conseguiu resultados acima das estimativas e disparou 3,86%.
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