Wall Street fecha entre perdas e ganhos ligeiros com sinais contraditórios vindos de Ormuz

Os principais índices dos EUA acabaram por fechar com perdas contidas, à exceção do Nasdaq, num dia em que os investidores pesaram uma queda abrupta dos preços do crude contra afirmações contraditórias sobre a escolta de um petroleiro no Estreito de Ormuz. Os mercados permanecem extremamente voláteis, e analistas lembram: "o contexto geopolítico continua longe de ser estável".
Wall Street.
AP / Richard Drew
João Duarte Fernandes 20:13

Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta terça-feira com uma maioria de perdas contidas, num dia de grande volatilidade para as praças bolsistas dos Estados Unidos (EUA) devido a sinais contraditórios sobre as perspetivas para o abastecimento de crude através do estreito de Ormuz.

O “benchmark” S&P 500 caiu 0,21%, para os 6.781,50 pontos. Já o Nasdaq Composite manteve-se praticamente inalterado com uma ligeira valorização de 0,01%, para os 22.697,10 pontos. O Dow Jones, por sua vez, perdeu 0,07% para os 47.706,51 pontos.

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Os preços de referência do petróleo para os EUA reduziram as perdas de mais de 15% que vinham a registar depois de a Casa Branca ter afirmado que as forças armadas do país não escoltaram nenhum petroleiro pelo estreito, contrariando informação que tinha sido partilhada pelo gabinete do secretário da Energia da maior economia mundial. Isto numa altura em que tanto a Arábia Saudita, como o Kuwait, o Iraque e os Emirados Árabes Unidos suspendem ou reduzem a produção de crude devido à falta de armazenamento.

Também as notícias de que o Irão terá começado a minar o Estreito de Ormuz pesaram sobre o sentimento dos investidores. A alegada minagem levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar com um ataque "20 vezes mais poderoso".   

Ainda assim, a forte queda dos preços do “ouro negro” - que seguiam com perdas de mais de 8%, para cerca de 84 dólares por barril no mercado norte-americano - deu algum fôlego aos mercados, que parecem ter reduzido, para já, as apostas de que o banco central do país vai ter de adotar uma política monetária mais restritiva.

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"Embora os traders tenham acolhido com agrado a queda repentina dos preços do petróleo, o contexto geopolítico continua longe de ser estável, deixando os mercados vulneráveis a uma maior volatilidade”, disse á Bloomberg Fawad Razaqzada, da Forex.com.

Entre os movimentos do mercado, a Boeing perdeu mais de 3%, depois de a empresa ter revelado que uma falha técnica encontrada no 737 Max irá atrasar algumas entregas desta aeronave. A Salesforce, por sua vez, caiu quase 2%, num dia em que a Bloomberg noticiou que a empresa estará a planear vender até 25 mil milhões de dólares em dívida para financiar uma recompra de ações. Já a gigante norte-americana das telecomunicações AT&T valorizou 0,65%, depois de se saber que irá gastar mais de 250 mil milhões de dólares em cinco anos para expandir a sua infraestrutura de telecomunicações e operações comerciais.

Quanto às "big tech”, a Nvidia subiu 1,16%, a Apple somou 0,37%, a Alphabet valorizou 0,30%, a Amazon ganhou 0,39%, a Microsoft cedeu 0,89% e a Meta pulou 1,03%.

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