Apetite pela dívida quebra Wall Street
As bolsas norte-americanas abriram em terreno negativo, depois de os bons dados económicos e de a perspectiva optimista da Reserva Federal terem catapultado os juros da dívida, fazendo diminuir o apetite pelas acções em prol das obrigações.
O índice industrial Dow Jones segue a ceder 0,33% para 26.740,66 pontos, depois de ontem ter estabelecido durante o dia um novo máximo histórico, pela segunda sessão consecutiva, ao tocar nos 26.951,81 pontos.
Por seu lado, o Standard & Poor’s 500 desliza 0,28% para 2.917,26 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite recua 0,64% para 7.973,90 pontos.
Os bons dados económicos dos EUA estão a fazer subir os juros da dívida norte-americana, desviando muitas aplicações para esse mercado, em detrimento das acções.
A ADP (sector privado) anunciou ontem um aumento dos postos de trabalho nos EUA em Setembro na ordem dos 230.000 (o maior incremento desde Fevereiro), contra uma estimativa de 184.000.
Por outro lado, um relatório do Institute for Supply Management deu conta de que a actividade do sector dos serviços atingiu um máximo de 21 anos em Setembro – o que também ajudou ao optimismo dos investidores.
Além disso, hoje foi divulgado que os pedidos de subsídio de desemprego na semana passada, nos EUA, caíram para um mínimo de perto de 49 anos.
Estes dados estão a fazer subir as "yields" das obrigações dos EUA, que no vencimento a 10 anos atingiram ontem mais alto nível em mais de sete anos, nos 3,179% - ao passo que na maturidade a dois anos alcançaram o patamar mais elevado em mais de uma década.
A contribuir para este aumento dos juros esteve também a renovada convicção de que a Reserva Federal dos EUA irá proceder em Dezembro a um aumento dos juros directores – o que, a confirmar-se, será o quarto deste ano.