Bolsa Caldo morno da frente comercial e dos dados económicos tira direção a Wall Street

Caldo morno da frente comercial e dos dados económicos tira direção a Wall Street

As bolsas norte-americanas encerraram em terreno misto, sem grande direção, com subidas e descidas muito ligeiras. O impasse nas negociações comerciais EUA-China convida à prudência e os dados económicos ainda estão a ser digeridos.
Caldo morno da frente comercial e dos dados económicos tira direção a Wall Street
Reuters
Carla Pedro 14 de novembro de 2019 às 21:11

O Dow Jones fechou a somar 0,01% 27.785,18 pontos, depois de ter atingido ontem, durante a sessão, um máximo histórico nos 27.806,40 pontos.

 

Já o S&P 500 avançou 0,08% para 3.096,63 pontos. Na sessão de terça-feira marcou um máximo de sempre, nos 3.102,61 pontos.

 

Em contraciclo esteve o tecnológico Nasdaq Composite, ao ceder 0,04% para se fixar nos 8.479,02 pontos. Na terça-feira estabeleceu um novo recorde na negociação intradiária, ao tocar nos 8.514,84 pontos.

 

Os investidores continuam a revelar prudência, enquanto esperam por desenvolvimentos na frente comercial e a digerirem os sinais mistos dos dados económicos.

 

Tem havido sinais de que as negociações comerciais entre os EUA e a China estão num novo impasse, numa altura em que o acordo parcial já não parece tão evidente.

 

Na terça-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o referido acordo de "fase um" poderá estar para breve, mas não está fechado. E brandiu de novo a ameaça de substanciais agravamentos das taxas aduaneiras sobre os produtos chineses se esse acordo parcial não for assinado.

 

Ontem correu entretanto a informação de que as compras de produtos agrícolas norte-americanos pela China voltaram a ser um dos pontos de fricção nas negociações entre Washington e Pequim.

 

Trump disse recentemente que a China concordou em comprar o equivalente a 50 mil milhões de dólares anuais de soja, carne de porco e outros produtos agrícolas. Mas a China está hesitante em colocar um compromisso numérico no texto de um potencial acordo, segundo o The Wall Street Journal, citando fontes próximas das negociações.

 

Já esta quinta-feira, a China veio dizer que a assinatura de um acordo está dependente de os EUA retirarem as tarifas já aplicadas.

 

Este impasse nas conversações comerciais esteve a penalizar as cotadas tecnológicas, que vão buscar grande parte das receitas à China. A contribuir para fragilizar o setor esteve também a Cisco, que apresentou contas trimestrais aquém do esperado.

 

Também os dados económicos prenderam a atenção dos investidores, num dia em que enviaram sinais mistos. Os preços no produtor subiram, ao passo que os pedidos de subsídio de desemprego na semana passada aumentaram mais do que o estimado.

 

Destaque ainda para o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, que hoje falou perante a comissão do orçamento da Câmara dos Representantes.

 

Depois de ontem ter dito no Congresso que não prevê que as taxas de juro dos EUA sejam alteradas nos próximos tempos, Jerome Powell declarou hoje que continua preocupado com a dimensão da dívida do país.

 

Segundo Powell, o orçamento federal está numa senda insustentável, com uma dívida elevada e crescente. Na sua opinião, o elevado endividamento dos EUA "poderá restringir a vontade e capacidade dos responsáveis pelas políticas orçamentais de apoiarem a atividade económica durante uma recessão". Ou seja, depois dos cortes de impostos aprovados por Trump no início do seu mandato, quando ocorrer outra crise o país não terá margem fiscal para estimular a economia.

 

No ano fiscal de 2019, que terminou a 30 de setembro, o défice do orçamento federal norte-americano ascendia a 984.000 milhões de dólares, mais 205.000 milhões do que o défice registado em 2018. Consequentemente, a dívida federal aumentou para 79,2% do PIB, contra 77,4% no ano fiscal de 2018.

 

 




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